segunda-feira, 7 de novembro de 2011

O Discurso do Rei


Nome Original: The King’s Speech
Diretor: Tom Hooper
Ano: 2010
País: Reino Unido
Elenco: Colin Firth, Helena Bonham Carter, Guy Pearce, Geoffrey Rush e Timothy Spall.
Prêmios: Oscar de Melhor Filme, Diretor, Ator (Colin Firth) e Roteiro Original, Bafta de Melhor Ator, Trilha Sonora (Alexandre Desplat), Roteiro, Ator Coadjuvante (Rush) e Atriz Coadjuvante (H.B. Carter), Globo de Ouro de Melhor Ator, Goya de Melhor Filme Europeu
O Discurso do Rei (2010) on IMDb

De realezas inquebráveis foram feitas as Histórias dos povos mais antigos. Chamem do que quiser, império, ditadura, feudalismo ou de catequese, a figura do chefe de Estado sempre foi de um mártir, um líder natural ou instituído por uma força “sobrenatural”. A família real mais conhecida em todo o mundo é a britânica que, atualmente, vive de casamentos com plebeus, escândalos mortais e de uma longevidade incomum de uma rainha que nada manda a não ser na aparente calma que uma realeza deve transmitir ao seu povo, ao menos em teoria e se o Primeiro Ministro permitir. Que os reis e rainhas sejam, na verdade, um resquício do passado no presente e que suas megalomanias sejam apenas lembranças de uma era de trevas na Terra. Que a democracia em sua plenitude seja a verdadeira marca dos tempos de hoje, tempos de paz.

Contar o período histórico em que o Rei George VI assumiu o trono, teríamos apenas mais um filme de guerra, das invasões, do crescimento de Hitler e a poderosa força de Churchill. A Segunda Grande Guerra estourou na mão de um improvável sucessor do sucessor. Como a fábula do patinho feio, Bertie precisará de muita força de vontade para superar toda a confusão causada pela abdicação do seu irmão Rei Eduardo VIII, das agruras da guerra e de seu pior inimigo desde que se lembra, sua gagueira.


Após diversas tentativas nos melhores médicos da Inglaterra de melhora do problema da fala, sua esposa Elizabeth o convence a visitar um terapeuta da fala, como ultimo recurso. Lionel Logue, um senhor, ator, que ama Shakespeare e que utiliza métodos pouco ortodoxos na sua terapia, ganha de quem vê a simpatia desde sua busca pela informalidade de tratamento, pelas suas tiradas com a pitada do característico humor inglês e por conseguir quebrar a realidade da realeza. Com idas e vindas, erros e acertos, Lionel e Bertie tornam-se mais do que criador e criatura, criam um vínculo de amizade graças aos caminhos que Sr. Logue tomou durante as sessões.



E assim como o Patinho feio, vemos desde o começo o conto do rei gago aparentemente entregue às traças, que ganha força confiança, força e triunfa para encher seu país de esperança numa luta que nunca esqueceremos – para a morte. A guerra foi a força que George VI conseguisse superar a sombra do seu pior inimigo. Hitler depois da gagueira foi barbada. Graças a um anjo da guarda chamado Lionel Logue, que conseguiu fazer de um intocável irreal, em um transeunte real.
Com cenas lindas, como um quadro pintado, “O Discurso do Rei” vai além das lindas locações que os ingleses costumam nos arrebatar em filmes de época, com um trio em performances memoráveis. A feia Bonham Carter conseguiu nos passar um humanismo e simplicidade para a sua Elisabeth Mãe, algo que não conhecíamos. Rush e Firth (que já merecia o Oscar por "Direito de Amar") estão impecáveis onde não importa se é baseado em uma história real ou se é um filme de ficção, ver o triunfo de um homem aparentemente abatido através da amizade é sempre um clássico que ficará na memória. Mais do que prêmios ou oscares, o que realmente fica é que uma amizade pode ser a salvação do mundo, através de uma voz.


Vitor Stefano
Sessões

Um comentário:

  1. Diante do estardalhaço que foi feito na época do lançamento de "O Discurso do Rei" eu esperei bem mais do filme. Aliás, nem sei como acredito ainda em estardalhaços, geralmente eles não provocam a emoção e nem ao menos a experiência estética que imagino, quase sempre aquém.

    São boas interpretações em um filme que tem o peso da indústria, tecnicamente e na qualidade dos recursos utilizados não há como negar que é um filme grande, o que o difere de um grande filme. Nestes aspectos, me agradou sobretudo, a elaboração dos cenários.

    De resto, é um filme que vem para contar uma história dentro da História, ou seja, não há conteúdo e contextos ali expostos. Uma narrativa que transcorre da forma mais comum e conhecida - começo-meio-fim ou problema-dificuldade-superação.

    Bobo.

    Leandro Antonio
    Sessões

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