quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Entreatos

Nome Original: Entreatos
Diretores: João Moreira Salles
Ano: 2004
País: Brasil
Elenco: Luís Inácio Lula da Silva
Prêmios: Gran Coral - Segundo Melhor Documentário no Festival de Havana e Melhor Filme pela APCA.
Entreatos (2004) on IMDb


Eleição é tudo sempre igual. Escândalos, pesquisas, boca de urna, acusações, armações políticas, dossiês, corpo a corpo. Nunca muda e talvez nunca mudará. Mas nesse ano de 2010, teremos uma mudança. Pela primeira vez, depois do movimento ‘Diretas Já’, não teremos a Lula concorrendo à presidência. Ainda bem João Moreira Salles fez ‘Entreatos’ para perpetuar essa figura emblemática da nossa política.

Não sou lulista, petista ou partidarista. A figura de Lula sempre foi polêmica e tem o poder de dividir opiniões: ser amado ou odiado, reverenciado ou rejeitado, ser idolatrado ou ridicularizado. A figura dele supõe isso por seu modo de falar, por sua trajetória política ou pelo seu dedo cortado, mas negar seu carisma é tarefa impossível, seja com os eleitores, com os que o assessoram ou com a câmera. Nesse making of da campanha política do candidato do PT, vemos o mundo partidário de dentro, onde tudo é marketing. Sim, a política é o de menos. O que realmente importa são as dicas de Duda Mendonça, coordenação por Gushiken, acompanhado de Marisa, apoio da trinca Mercadante, Marta e Suplicy, e os toques maquiavélicos de José Dirceu ao companheiro Luis.

Quando as portas se fecham à câmera, isso é prova mais do que concreta que o meio político é sujo e nojento. A câmera registrando tudo, incomodava muito a quase todos que lá estavam. Parece que apenas Lula não se importa e faz dela um aliado, uma companheira. Ponto para JM Salles, que talvez tenha corrido mais riscos nesses bastidores políticos do que nas favelas com ‘Notícias de uma Guerra Particular’.

Não importam as promessas e as prozas dos comícios, os depoimentos e histórias contadas pelo personagem central atrás dos palanques, nos hotéis, nos QGs, no avião, sempre acompanhado de suas inseparáveis cigarrilhas são os momentos memoráveis das filmagens que aconteceram de 25 de setembro à 28 de outubro de 2002. Lula é, com certeza, nosso Forrest Gump. Mas o ápice do documentário é a ‘carona’ de avião que o jatinho da campanha dá a um homem que perdeu seu vôo. Esse ato mudou meus conceitos sobre esse Silva, que nem sempre foram boas.


Lula chegou lá e nesse entreato histórico, um presidente da elite transmitiu a faixa pela primeira vez na história desse país a um candidato que veio da classe operária. Um tabu quebrado e hoje, 8 anos depois, sem traumas negativos e ótimo saldo positivo. Lula não é Hitler e João Moreira Salles não é Leni Riefenstahl, mas a política e cinema sempre estarão ligados, ao menos deveriam. Não, você não verá a história de 'Lula, o filho do Brasil', mas sim a de, Lula, o filho da W. Brasil, da F-Nazca, da África, ou simplesmente, de Duda Mendonça.

Vitor Stefano
Sessões

Um comentário:

  1. Que porrada hein,Vitão....

    Gostei de sua interpretação.

    Fernando Moreira dos Santos
    Sessões

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