quarta-feira, 10 de agosto de 2011

A Mulher do Lado

Nome Original: La Femme d'à Côté
Diretor: François Truffaut
Ano: 1981
Elenco: Gérard Depardieu, Fanny Ardant, Henri Garcin, Philippe Bouchard, Michèle Baumgartner, Véronique Silver
Sem prêmios
A Mulher do Lado (1981) on IMDb

A simplicidade do enredo de “A Mulher do Lado” é um tapa com luvas de pelica. Ilustra a complicada pergunta: O que faz um filme ser grandioso? Certamente, as respostas são múltiplas e pouco simples. Quando um mote simples, não muito original e por muitos considerado banal transforma-se em um clássico, um trabalho digno de ser comentado e admirado trinta anos depois de seu lançamento pode-se dizer que houve ali a tradução de algo que deixarão quaisquer palavras aquém de ilustrar.



Aos mais infiltrados o filme é uma aula de cinema. Parece que conseguiu-se ali revelar o melhor que cada intérprete, cada câmera, cada locação, cada ângulo. Não sou profundo entendedor, mas a mim parece perfeito. A condução da trama é inusitada, as sutilezas são todas percebidas, Fanny Ardant está bela, obscura e irresistível, Gérard Depardieu que deve ser um matemático... Vê, por isso que eu não gosto muito de falar de filmes que a mim soam como definitivos, parece um pouco de “babação-de-ovo" e é claro que ao mesmo tempo é obrigatório expor algumas ideias. Enfim, somos seres passionais. Se esta paixão nos tira ou nos acresce, vai se saber. Rasgar-se publicamente pode ser cafona e reprovável por muitos, mas alguns riscos são válidos.

Como de costume, Truffaut não subestima seu expectador. O coloca no seu nível. Nos julga inteligentes o suficiente para sermos simples, para lermos a vida e constatá-la diante dos olhos. Para enxergarmos que somos personagens também. Enquanto seres simples, passionais, emotivos, limitados, carregados de passado. François Truffaut nos imita e nós imitamos François Truffaut.

A princípio escolhi para postar o vídeo da cena final, uma das coisas mais nítidas que já assisti em qualquer cinema. Uma das melhores de todos os tempos. No entanto, o filme tem um clima de suspense e intenções muito claras de surpreender o expectador a cada momento. Logo, o trailler está de bom tamanho:


Há muito o que dizer, mas "A Mulher do Lado" se faz tão elementar que dizer qualquer palavra além daqueles minutos de película tem enormes chances de ser entendido como pedante e inválido. De toda forma, espero que o post sirva como uma indicação para ver e rever um dos últimos filmes dirigidos pelo mestre do amor - Monsieur Truffaut.

"Ni sans toi, ni avec toi"

Leandro Antonio
Sessões

2 comentários:

  1. Bem perto, quase dentro, uma angustia insustentável, cheia de um sentimento inominável (abominável) (adorável), uma simples mudança na vizinhança já pode alterar todo o rumo de um passado que deveria estar mais do que enterrado. Como mortos-vivos, uma paixão de uma vida passada renasce, surge com fôlego de um atleta olímpico que viveu 8 anos pensando que estava à oito palmos da superfície.
    Truffaut faz do cinema um encantador circo da essência dos seres humanos durante um momento muito peculiar que chamamos de relacionamento. Ninguém conseguiu retratar esse sentimento tão bem. Em “A Mulher do Lado” uma simples mudança de um casal de vizinhos faz renascer um sentimento mal resolvido, vivo, fogoso e odioso de um casal que na verdade nunca se separou, mas que não se viam há 8 anos. O reencontro, as passagens às escondidas, sexo culposo, amor repreendido, tesão enclausurado, tudo em busca da resolução de problemas sem solução ou de resolução de uma vida sem muita emoção. Mas como saber se é um filme de Truffaut. Vemos e nos envolvemos com aquele medo de se identificar, com aquele gostinho de já ter vivido e com a vontade de agir como seus personagens. A vida é mesmo um drama cinematográfico.

    Eu vivo dentro dos filmes.

    Vitor Stefano
    Sessões

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  2. Ver um comentário emocionado sobre Truffaut me faz ter vontade de rever muitas cenas deste filme de novo.
    Juntando a 'Mulher do Lado' com as palavras do Vitor me veio uma revelação existencial: Este ser que eu jamais conseguirei conhecer é o único de quem não posso fugir, nem desviar - eu.

    Leandro Antonio
    Sessões

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