terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Guerra ao Terror

Nome Original: The Hurt Locker
Direção:Kathrin Bigelow
Ano: 2008
País: EUA
Elenco: Jeremy Renner, Anthony Mackie, Brian Geraghty, Guy Pearse.
Prêmios: Oscar de Melhor Filme, Diretor, Edição, Edição de Som, Mixagem de Som e Roteiro Original e Bafta de Melhor Filme, Diretor, Edição, Roteiro Original, Fotografia e Som.
Guerra ao Terror (2008) on IMDb


"A guerra vicia” este é o lema do filme da diretora Kathryn Bigelow que está concorrendo a noves estatuetas da premiação mundial do cinema. O filme centra-se na missão de soldados americanos no Iraque cuja função é desativar bombas e homens-bombas que contestam a presença e a intervenção yankee no oriente médio.

Após a morte do sargento em uma explosão. O substituto especialista em bomba inicia seu trabalho com o grupo. O Sargento James possui métodos pouco ortodoxos de desativar uma bomba. Com efeito, ele não demonstra nenhum medo pela morte mas além disso James chega a desenvolver um certo apetite pelo perigo.A adrenalina,as situações limites misturam-se com uma certa alienação sobre o motivo da guerra e seu sentido.

Temos um filme em que se privilegia o tratamento psicológico da realidade da guerra. Com efeito, não há menção à High Politics, nem à conluios internacionais entre países,nem preocupações com as razões que levaram os americanos a invadir o Iraque. Há, sim, e isso é proposital, um ambiente cuja aridez sufoca,o calor, irrita; e a vida parece adquirir um caráter de niilismo medonho. Não há arquitetura, não há casas, não há construções,somente destruição, pobreza e ingovernabilidade. Na saga sem sentido dos três soldados vivemos momentos dramáticos como quando são pegos em uma emboscada ou quando o Soldado Sanborn escapa com vida de uma encurralada.


Uma questão relevante é estabelecer até que ponto a escolha do (The Hurt Locker) pode ser entendida como uma homenagem à crítica da diretora à política para o oriente médio dos EUA ou, de outra lado, a escolha não significa nada mais do que um conflito entre ex-marido e mulher. Não se pode dizer com precisão o que motivou a escolha do filme para as categorias do Oscar. Fato é que o filme, por si só, pouco impacto causou na opinião pública norte americana. Talvez porque como sempre mostra preponderantemente a idéia americana de mundo.

Fernando Moreira dos Santos
Sessões de cinema

4 comentários:

  1. Não há palavras pra descrever o que Guerra ao Terror alcança. Não são metros do diâmetro do estouro de uma bomba, mas sim, mostrar como uma guerra pode destruir o ser humano. Não fisicamente, psicologicamente. Bigelow consegue mostrar o mundo real, de pele e osso, sem florear um mundo imaginário ou clones dos humanos azulados, com consciência ecológica e politicamente corretos. O ser humano não é isso. O ser humano é condicionável. Os meninos que vão pra guerra são robos, como o que faz o primeiro reconhecimento da área com bomba.

    Bigelow começa e termina mostrando que o que diz no começo é totalmente real - A guerra é uma droga. Will é dependente da guerra. Ter uma vida calma, comum, onde escolher qual cereal matinal levar pra casa é um dilema, pra ele isso não é vida. Ele precisa da droga pra ter adrenalina, vontade de viver. Além do ótimo humor que o mantêm calmo e tranquilo diante de momentos de alta periculosidade, como no momento que tira sua roupa especial para não incomodá-lo, visto que usando-a ou não, de nada adiantaria, pela quantidade de explosivos no carro perto da ONU. Will é um personagem forte e sensível. Só assim para controlar as emoções. Se é que ele as tem. Acho que são apenas resquícios, como de bombas que explodiram e marcaram seu corpo.

    Há cenas maravilhosas do começo ao fim. O início onde o personagem de Guy Pearce morre, é de uma beleza assustadora. O ser humano é o único ser que vê beleza no mal. Visto aos olhos da diretora, é lindo mesmo. É quase épica a cena em que os soldados atiram a esmo num deserto deserto. Esperando horas até um alvo entrar na mira. Sinto-me dentro do filme, com a tensão e secura na garganta, sem água pra beber.

    O elenco desconhecido do grande público faz com que tenhamos certo estranhamento pelos rostos, porém Jeremy Renner está estupendo, assim como Mackie e Geraghty. Mas é incontestável a capacidade de Kathryn Bigelow captar cenas que poderiam ser comuns em especiais. Conseguir mostrar o que sobrou das almas dos soldados, pois eles já estão mortos. Merece o reconhecimento de primeira mulher a vencer o Oscar. Mas caso não ocorra, a obra já deixou sua marca e ela já tem seu nome marcado na história.

    O Iraque nunca mais será livre. E não há guerra entre países. Tornou-se uma guerra particular, como dito em 'Notícias de uma Guerra Particular' de João Moreira Salles. Nada justifica o espetáculo da guerra. Mas as economias sem guerras não suportariam. O que seria dos Estados Unidos se não fosse a indústria bélica? Se vivemos num mundo mais pacífico, porque não terminar com as indústrias das armas? Vivemos num mundo em que quem produz, vende e condena o que usa, e usa isso como motivo de criar novas armas de proteção. Infelizmente num mundo de mentiras, a vida real é a que vivemos. Um mundo de mentira, talvez Pandora...

    Veja o que sobrou de alguns jovens, reais.
    http://www.revistapiaui.com.br/edicao_40/artigo_1227/Guerra_gravada_na_pele.aspx#

    Vitor Stefano
    Sessões

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  2. Concordo com a análise bastante precisa do Vitor e discordo da crítica do Fernando.
    Acredito que nós, cinéfilos, não devemos querer que um filme toque em todos os pontos que imaginamos que tocaria. Que abranja todo o tema.
    Não é porque o filme é ambientado no Iraque pós-guerra, que tem que falar de política.
    O roteiro é bastante feliz ao enfocar o ser humano e o ambiente que o cerca. Disso podemos deduzir o macro.
    Acho que o filme mereceu sim o Oscar e as indicações, mas reforço que é sobre pessoas e não sobre governos...
    Abs!!!

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  3. Quando fui ver "Guerra..." estava na expectativa de que seria um filme que me despertaria a vontade de ver de novo e de novo.Expectativa nos píncaros.Creio que foi isto que me deixou com um sabor amargo na boca no final.Não, não é um filme ruim, muito longe disto.Grande fotografia, atuações convincentes, roteiro bem elaborado.Mas, lembra da expectativa?Pois é...Ao final cravei nota 8, talvez 8,5.Mas eu imaginei que seria nota 11.Claro que isto não desmerece o filme.Não raras são as vezes em que o problema está no olhar do observador e não no quadro.Ainda que não tenha me deixado com vontade de rever, o farei por obrigação para constatar o que deixei escapar de sutil.Foi assim com "Gladiador".Precisei "me" dar uma segunda chance para gostar do filme.

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  4. Guerra ao Terror só ganhou cinco oscars por birra da Academia com o Cameron e seus bonecos azuis e com o sangue do Tarantino. Pra mim ambos são melhores do que esse sem sal Guerra ao Terror. Esse filme nem sequer passou nos cinemas de lá quando estreou.

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