quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Filmefobia

Nome Original: Filmefobia
Diretor: Kiko Goifman
Ano: 2008
País: Brasil
Elenco: Jean-Claude Bernardet.
Prêmios: Candango de Melhor Filme, Montagem, Direção de Arte e Ator (Jean-Claude) no Festival de Brasília e Melhor Primeiro Trabalho (para cineastas em sua estréia na direção) para Kiko Goifman.
FilmeFobia (2008) on IMDb


Fobia: s.f. Medo obsedante, angustiante, que certas doenças provocam em circunstâncias determinadas. Esta palavra entra como composto nos nomes de diversas espécies de medos doentios: agorafobia, medo mórbido do vazio e do espaço; claustrofobia, medo de ficar encerrado; ereutofobia, medo de enrubescer; acrofobia, medo das alturas, entre outros.

Um sufixo pode dar sentido à diversas palavras com diversos significados. Conhecê-lo em seu auge, sob medo, por insanidade, aceitando ser visto por quem quiser no momento em que desejar é um exercício de tortura. A premissa do filme-documentário “Filmefobia” é interessantissima. Vamos discutir sobre os medos das pessoas fazendo-as enfrentá-las. Medos de anão, ratos, pombos, sangue ou palhaços, não importa, eles estarão frente a frente. Sem um profissional gabaritado sobre o assunto acompanhando, o amadorismo das discussões da equipe de produção é de causar fobia. O medo que vemos estampado na tela pode ser uma mero jogo de cena, um jogo de cartas marcadas, ou, como Jean Claude procura, única imagem verdadeira é a de um fóbico diante de sua fobia. Sua fobia é estar enclausurado em sua mente genial em um corpo que rui.

Quem não conhece Jean-Claude Bernardet não sabe o que é cinema nacional. O nosso maior estudioso está à frente das câmeras, como personagem instigador das fobias, como por trás delas, procurando, vendo e filmando os ataques das sensações mais imprevisíveis dos fóbicos que toparam estar à mercê da produção de um filme. Jean é um teórico por obséquio, e quando se vê diante de sua realidade, idoso, dificuldade de andar, de enxergar, aidético, gay assumido com uma filha e um gênio do nosso cinema que gosta de ver algo diferente nas telas grandes vai à luta e busca com seu pupilo Kiko Goifman um choque, um experimentalismo. Aparecer, buscar explicações, experimentar ou apenas egocentrizar sua própria imagem podem ser motivos para aceitarem ser confrontados com seu pior medo. A produção quer apenas filmar e colocar as imagens mais assustadoras na tela. Vemos o desenrolar do filme, nas filmagens, nos bastidores ou simplesmente no dia a dia do personagem central.



Em uma espécie de Jogos Mortais nacional onde Jean-Clo é o boneco assassino, em busca de imagens verdadeiras e que marquem sua memória fotográfica comprometida pelo câncer ocular. O sangue que corre em suas veias com o vírus HIV é imaculado, mas o dos outros escorrendo em suas mãos é a liberdade. Ver a fobia dos outros estampada nos rostos, com explosões de extases, repulsa ao extremo e atuações dignas de premiação, demonstram o quanto esse filme não tem roteiro, como ele não tem rumo, como ele é apenas de e para Jean Claude Berdardet. Não importa se é documental ou ficcional, pois quando a fobia dos outros passou a ser seu relento, perdeu o sentido e a sua produção ficou comprometida. Mas está comprometida pelos fóbicos, pela direção ou como meio de intrigar o público que o vê?

A experimentação, as traquitanas gigantes, o sadismo das imagens, a análise do “sentir medo” do outro, as conversas dos rumos da produção, a vista do back-stage nos faz pensar que “Filmefobia” é um filme caseiro com ares de arte com resultado de mentes insanas em busca de mudanças de concepções físicas sobre um assunto que não conhecem. “Filmefobia” é o acaso das artes experimentais em forma de sangue, horror e uma boa dose de atuação, tudo com o manto de Jean-Claude Bernardet, o que credencia Kiko Goifman a voar vôos solos e altos, mas sem a muleta de seu tutor. Só espero não ficar com fobia de filmes a partir de agora. Para evidenciar o show de horrores, veja algumas das cenas do filme:


Fobia de Anão

Fobia de Pêlos e Cabelos

Fobia de Lesma

Fobia de Ralo

Fobia de Palhaço

Fobia de Morte (e Flores)

Fobia de Penetração

Fobia de Ratos

Para explorar mais quem é Jean-Claude Bernardet, leia a sensacional matéria "Autoficções de um pessoa laboratório" na edição 60 da Revista piauí.E na edição 61 o excelente crítico Eduardo Escorel faz uma confissão e crítica da reportagem da edição anterior. Quando for liberada para acesso ao site, linkarei aqui.

Vitor Stefano
Sessões

2 comentários:

  1. Imagens muito bem escolhidas para o post. Tema interessantíssimo para a arte. Aliás, será que alguém tem fobia de cinema? Uau! Olha que mote bacana para um trabalho. Fica a dica para experimentos.

    Leandro Antonio
    Sessões

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  2. Eu sofria da fobia de penetração, não desejo a ninguém, hoje estou curada depois de realizar terapia e um parceiro maravilhoso que me mostrou que fazer amor é algo sublime entre duas pessoas que se amam.

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