quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Selma – Uma Luta pela Igualdade



Nome Original: Selma
Ano: 2014
Diretor: Ava DuVernay
País: EUA
Elenco: David Oyelowo, Oprah Winfrey, Carmen Ejogo, Tim Roth e Tom Wilkinson.
Prêmios: Melhor Canção Original, Filme do Ano no AFI Awards, Prêmio da Audiência para Melhor Narrativa, Melhor Desempenho (Oyelowo) e Directors to Watch no Palm Spring Film Festival.
Selma: Uma Luta Pela Igualdade (2014) on IMDb



Mesmo sabendo ser um filme sobre Martin Luther King, imaginava que o nome do filme seria homônimo a algum personagem feminino muito importante na vida do ativista. Não é. Selma não deixa de ser um personagem importante na história, mas é a cidade na qual o filme se passa e onde MLK centraliza sua caminhada histórica para mudar definitivamente a história dos EUA no que tange os direitos civis dos negros. Isso em 1965. Sim, até esse ano, nos Estados Unidos negros não podiam votar, eram discriminados por banheiros, hotéis e restaurantes exclusivos para caucasianos. Negros não eram nada, ou melhor, eram a escória do universo. A se pensar na história norte-americana, é incrível que poucos anos depois um negro seja eleito o presidente dessa nação.

Incrível que um ano depois de “12 Anos de Escravidão” um filme mais potente e belo não tenha tido tanto apreço da Academia. Talvez na cabeça dos votantes pelo cabeça dourada a cota de filmes, atores e diretores negros já tenha atingido a sua meta da década. Talvez. Ao menos serviu para que um preconceito meu fosse quebrado. Nada contra os negros, por favor, mas sim contra a socialite e apresentadora Oprah Winfrey. Claro que a incoerência das indicações ao Oscar 2015 me levaram a pensar ainda mais mal do que deveria dela. O filme está indicado ao Oscar de Melhor Filme e Melhor Canção Original – a belíssima “Glory” interpretada por John Legend e Common. Como um filme tem indicação de Melhor Filme e não tem nenhuma outra indicação nas categorias principais? Acredito que nunca antes isso tenha acontecido. Óbvio que a força de Winfrey como uma das produtoras (e com uma ponta como atriz) pode o catapultar a essa posição (Brad Pitt também é produtor e nome de peso na Academia). Lembro-me de “Preciosa” um filme apenas bom, com uma história tristíssima e uma interpretação fantástica de Mo'Nique que foi muito falado e entrou na disputa com muito mais força do que realmente o filme merecia à época e muito disso (tudo isso) foi por Oprah. Achei que este seguiria o mesmo caminho. Errei.




“Selma” é uma história belíssima de um gênio que mudou a história do mundo. Viveu pouco, mas seu nome estará para sempre nos livros de história, nos nomes de escolas, no ideal de um idealista. Luther King foi além. Conseguiu unir forças, brigar contra gigantes, peitar a morte em prol de um ideal. Não existem mais ativistas como ele. Cometi o erro de dizer que “Selma” só estava concorrendo ao Oscar de Melhor Filme pra cumprir a “cota negra” do Oscar. Errei. “Selma” deve estar lá e com boas chances (apesar de minha predileção por “Birdman”). Ava DuVernay merecia estar entre os finalistas a melhor diretor. David Oyelowo é a melhor interpretação de um protagonista do ano e merecia estar indicado por fazer um personagem vibrante, numa uma caracterização maravilhosa. “Selma” é o melhor filme com menos indicações desse Oscar. Um grande filme.

Vitor Stefano
Sessões

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