sexta-feira, 23 de julho de 2010

Ponyo - Uma Amizade que Veio do Mar

Nome Original: Gake no ue no Ponyo
Diretor: Hayao Miyazaki
Ano: 2008
País: Japão
Elenco: Yuria Nara, Hiroki Doi, Jôji Tokoro, Tûki Amani.
Prêmios: Asian Film Awards de Melhor Compositor (Joe Hisaishi), Prêmio de Melhor Animação e Melhor Música para Cinema da Academia Japonesa de Cinema. Miyazaki foi contemplado em Veneza pelo prêmio Fundação Mimmo Rotella e Menção Especial Future Film Festival Digital Award.
Ponyo - Uma Amizade que Veio do Mar (2008) on IMDb


Em torno da amizade e do amor tudo se transforma. Miyazaki, acostumado a fabular tudo que faz, não deixa o mar para trás. O mar já nos remete à segredos e mistérios e parece que o japonês consegue extrair lá do fundo (da alma, do pensamento ou do mar) as maiores fantasias à tona. E nem tudo é imaginação. Temos um tema muito sério abordado por todo o filme - a destruição, a ocupação e as transformações do mar pelos humanos, bem antes de Avatar (sim, o filme é de 2008 e só agora é lançado no Brasil).

Sosuke e Lisa, sua mãe, vivem na encosta do mar, numa casa-farol, à espera do retorno de seu pai, um dedicado marinheiro. Numa bela manhã, Ponyo, uma peixinha dourado é salva da morte pelo pequeno. A poluição dos humanos quase matou aquele ser vivo. Mas ela não é apenas um animal comum, ela tem poderes e a escolha por virar humano pode mudar toda a vida marítima e de todo mundo. E muda, mesmo contrariando seu pai - um ex-humano e defensor dos mares. Os poderes mágicos da pequena Ponyo são capazes de cenas maravilhosas, onde a imaginação tem asas e voa, para bem longe.



Durante toda a animação temos aflição de como a Lisa dirige seu carro. Sempre que ela entra nele, vemos que o perigo está muito próximo e a tensão só cresce. E para potencializar, por toda a película somos inebriados por um sentimentalismo criado pela linda trilha sonora, que é carregada de drama, beleza, força e leveza - lembra a força das músicas de ‘A Bela e a Fera’. Estamos dentro do mar, sentimos as bolinhas de ar sair por nossas narinas, o som orquestrado nos faz viajar e os nossos globos oculares preenchidos por duas criaturas das mais simpáticas e cativantes que já vimos nos últimos anos, fazem de Ponyo um filme obrigatório para crianças e indispensável aos adultos. O diretor se inspirou em ‘A Pequena Sereia’ para criar Ponyo. Talvez a tenha superado.

Essa, provavelmente, é uma das produções mais infantis do diretor japonês, pois não há nada de obscuro, misterioso ou denso como é perceptível em outros trabalho e em seu maior sucesso de público e crítica: A Viagem de Chihiro. Mas ele é capaz de tudo. Irreal ou impossível? Para você, pois esse é o mundo de Miyazaki e é pra lá que eu vou.


“Ponyo ama Sosuke”. Nós amamos Miyazake.

Vitor Stefano
Sessões

5 comentários:

  1. Que crítica bonita!!! Meus Parabéns!!
    Vi o filme nesse fim de semana. Favoreci Ponyo em relação aos "blockbusters" Encontro Explosivo e Os Predadores, e posso dizer com muita alegria que não me arrependi nem um pouco. O filme é belíssimo, a história é envolvente, com uma moral relevante sim, para adultos e crianças. Achei um máximo você mencionar sobre a maneira de dirigir da Lisa, porque de fato, meu coração se apertava cada vez que ela sentava atras do volante e eu só pensava: "Ai, vai dar merda, vai dar merda, vai dar mer..." mas aí ela chegava sempre sã e salva em casa com o seu pequeno Sosuke, outro personagem incrivelmente carismático. Com os seus 5 aninhos, ele tem uma inocência e ao mesmo tempo uma coragem e audácia que são deliciosas ao público. E a Ponyo em si, é um espetáculo a parte. A maneira como ela foge do mar e vai atrás de Sosuke é incrível!
    Enfim, como sempre, o nosso circuito cinematográfico não dá valor a esse tipo de produção, que está passando em pouquíssimas salas e com horários muito ingratos para quem trabalha e afins... mas quem puder, faça um esforço e vá ver o filme, porque não irão se arrepender!!

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  2. Ponyo é o 6º Miyazaki que vejo.Tem algumas das melhores, em termos visuais, cenas de animação que eu já vi. Sem nenhum exagero, são cenas fantásticas.Enquanto a história, é bem mais light do que A Viagem de Chihiro e Princesa Mononoke, mas é uma história muito bonitinha e me cativou.

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  3. Miyazaki é gênio, eu o conheci com A Viagem de Chihiro (viajei com ela), depois vi O Castelo Animado, O Serviço de Entregas de Mimi... De tudo tiro a conclusão de que esse criador de grandes histórias, infantis ou não, tem um talento nato e exprime isso não só nas histórias em si, mas especialmente nas músicas. A trilha sonora de cada desenho animado que vi de Hayao Miyazaki me emocionou e fez com que cada história fosse mais especial.

    Ps. Vitor, (e agora vc vai querer me bater) se vc não gostasse MESMO de Disney, não teria feito essa comparação: "E para potencializar, por toda a película somos inebriados por um sentimentalismo criado pela linda trilha sonora, que é carregada de drama, beleza, força e leveza - lembra a força das músicas de ‘A Bela e a Fera’."
    Foi o queu te disse no twitter, ambos tem sim seu mérito. ;)

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  4. Apenas para esclarecer e interar quem não viu o que disse: "Miyazaki é gênio. Talvez me cruscifiquem, é melhor que Disney".

    Alessa, ÓBVIO que Disney é um gênio, nós somos apaixonados por tudo que ele fez e nos proporcionou. Infelizmente, somos colonizados pela cultura estadounidense e tudo que eles fazem, nos vendem (e compramos), como melhor e insuperável. E sem dúvida, torna-se uma referência.

    Quando ampliamos nossos horizontes e mente (inclusive politicamente), percebemos que não é só de EUA que vive o cinema e, nesse caso, as animações.

    Se Disney tivesse nascido na Coréia e Miyazaki nos EU, provavelmente diria que Disney é melhor que Miyazaki. Mas não é assim... Disney estava o tempo todo sob a batuta do Tio Sam e isso já é motivo o bastante para pensar que Miyazaki é melhor do que ele.

    Eu deveria me apegar na parte cinematográfica, mas não há como separar totalmente, infelizmente.

    Mas os dois são gênios. Isso é inegável.

    Obrigado pela participação, comentários, críticas e elogios Ana, Camila e Alessa.

    Vitor Stefano
    Sessões

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  5. Realmente, Miyazaki sempre me impressionou e continua impressionando...


    os filmes dele, como comentado, nos passam um sentimento de que existe ainda algo para lutar...

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