terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Nascidos em Bordéis

Nome original: Born Into Brothels: Calcuta's Red Light Kids
Diretor: Zana Briski e Ross Kauffman
Ano: 2004
País: EUA
Elenco: Zana Briski, Avijt, Manik, Puja, Shanti, Gour, Tapasi, Suchita, Kochi e Mamoni
Prêmios: Vencedor do Oscar e Sundance de Melhor Documentário.
Site: www.kids-with-cameras.org/
Born Into Brothels: Calcutta's Red Light Kids (2004) on IMDb

"Somos nove corpos e uma só alma".

"É preciso aceitar que a vida é triste e dolorosa. Só isso." (Shanti)
Índia, Calcutá, Distrito da Luz Vermelha. 9 crianças e nenhuma esperança. Como o nome do docdumentário diz, nasceram em bordeis, em meio ao lixo e com costumes totalmente inapropriado para crianças de 10 anos. São elas: Avijt, Manik, Puja, Shanti, Gour, Tapasi, Suchita, Kochi e Mamoni. A vida deles resume-se em trabalho escravo para ajudar nas finanças dos barracos em que habitam. Vivem em um ambiente totalmente hostil, onde vêem as próprias mães prostituindo-se para conseguir algum dinheiro. Não há estudo que consiga tirar esse trauma de suas pequenas cabeças.
Porém aparece um anjo na vida deles. Zana Briski é o nome da arcanja, que junto à sua câmera fotogrática e sua força de vontade aparece dos céus para ajudá-las. A vida dos pequenos muda, encantam-se com o mundo visto através do quadrante fotográfico. Saem daquele mundo triste e infrutífero para ver outro horizonte, quem sabe, um futuro. E as crianças impressionam tornando-se ótimas fotógrafas. Uma nova esperança nasce.
O trabalho da 'tia' Zana é tirar os pequenos dos bordéis e conseguir uma condição de vida àquelas pequenas pessoas alaranjadas que estão condenadas à um futuro de prostituição e de tristeza. O documentário emociona, pois vê-se a pureza por trás de tanto sofrimento de uma simples criança.
Então, não se iluda com a Índia retratada nas novelas, pelas suas crenças ou por seus costumes pois o que vemos aqui é a pobreza que assola não só aquele país banhando pelo oceano Índico. Pedro Luís e a Parade dizem que "de Porto Alegre ao Acre a pobreza só muda o sotaque". Se eles me permitem, sem a mesma métrica e genialidade, de Tóquio à São Paulo, passando por Calcutá, a pobreza só muda a língua.
Talvez haja esperança para todos, só precisamos encontrar nossos anjos da guarda nos abençoando. É lindo, verdadeiro, cruel e com pitadas de alegria por dias melhores. E, Shanti, mesmo que ignorância e costumes a levem ao pior, não deixe que a vida seja apenas tristeza e dor. Se você conseguiu, todos conseguem.
Vitor Stefano
Sessões

2 comentários:

  1. Um bom documentário e uma bela escolha para um post.

    Não conheço a Índia e sei das castas somente o que todo mundo do Ocidente sabe ou acha que sabe, mas o que surpreendeu-em por demais neste filme foi o fato das crianças demonstrarem reações tão conformistas diante do sofrimento. Falta de consciência de mundo? Condescendência por saber que é assim mesmo ou por conta dos estímulos que a paisagem e a cultura propiciam? Não sei responder isto até hoje, mas questiono o quão também esta nossa visão do extremo sofrimento e conformismo daquele povo não esteja também arraigado neste jeito cosmopolita no qual fui criado e constantemente recriado e onde uma tal felicidade existe se você estiver disposto a lutar e lutar cada vez mais por ela.

    Vendo "Nascidos em Bordéis" senti-me urbano e desraigado. Foi a sensação de saber sempre parcialmente sobre as coisas. De ser universal, mas sem totalidade. De poder permear todas as realidades possíveis sem ser parte ou contribuição de nada.

    Leandro Antonio

    Sessões

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  2. quem me garante que eu já não passei ou vou passar por isso em alguma vida por aí.

    morro de chorar pq a minha vida é muito mais que só minha vida.

    Zana é minha inspiração:~

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