segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Jean Charles


Nome Original: Jean Charles
Diretor: Henrique Goldman
Ano: 2009
País: Brasil e Inglaterra
Elenco: Selton Mello, Vanessa Giácomo e Luis Miranda.
Prêmios: Contigo do Cinema Brasileiro para Melhor Ator Coadjuvante para Luis Miranda.
Jean Charles (2009) on IMDb

Jean Charles era como qualquer imigrante brasileiro num país de primeiro mundo. Alheio a qualquer questão política, estava ali apenas para batalhar um modo de vida mais decente, salvar uma grana para voltar ao Brasil, ter perspectivas que não vislumbrava em seu país.

Morreu como um terrorista em um momento crítico. A Inglaterra e outros países sofriam vários ataques de grupos radicais islâmicos e Jean foi "confundido" com um homem bomba prestes a detonar a si e a outros num trem de metrô de Londres.

O filme de Henrique Goldman tenta contar esta história de maneira meio fictícia, meio real, recriando o cotidiano de Jean Charles e, de certa forma, da maioria dos brasileiros que vivem na Capital inglesa.
Interpretado por Selton Melo, o Jean do filme revela suas relações de afetividade, seu trabalho, expectativas, sonhos e frustrações. Talvez por ser um caso que ainda não chegou a uma conclusão judicial - nenhum dos envolvidos na morte deste jovem foi responsabilizado -, o filme procurou fugir um pouco dos aspectos mais polêmicos. Por outro lado, ao trazer de novo o assunto em voga, a realização da fita foi importante para que o caso não caísse em esquecimento.

Uma característica deste filme é que parte dos personagens foi interpretada por atores profissionais. Uma outra parte foi realizada por pessoas que viveram a história na realidade e fizeram o papel de si proprios. Com isso, ficou evidente o abismo das interpretações, em alguns momentos parecia um teatro de amadores. Apesar disso, no final, o filme consegue emocionar e questionar a respeito de uma grande injustiça internacional.


Carlos Nascimento
Sessões

4 comentários:

  1. Carlão, sei que esse filme tem um aspecto muito importante para você pois, como Jean Charles, viveu em Londres com o sonho de crescer em um país que não foi o seu. Obviamente e felizmente seu destino foi muito melhor do que o dele e hoje você consegue deixar sua marca de jornalista, de pai e de homem do mundo aqui no Sessões.

    Ainda não tive a oportunidade de ver o filme, porém com Selton Mello e sua indicação o farei o quanto antes.

    Muito obrigado por mais uma bela postagem, meu amigo!

    Vitor Stefano
    Sessões

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  2. Obrido pelo comentário, San Vito!

    Viver em Londres, realmente, não é nada fácil. Existe a distância natual de casa, dos familiares, pessoas queridas... há um abismo cultural e uma necessidade de identificação que não encontra sustentação. Ainda que se conviva com amigos, a solidão é tremenda. O Jean Charles viveu isso, era um solitário rodeado de pessoas. Sustentava um sonho, que foi cruel, implacável.
    E o filme, mas do que tocar em um assunto polêmico, em querer questionar a impunidade que não é privilégio nosso, procurou focar no aspecto humano desses milhares/milhões de brasileiro que abandonam suas casas em busca desse sonho, que em muitos casos são, na verdade, verdadeiros pesadelos.
    Quem já tentou ganhar a vida fora do Brasil sabe do que estou falando. É isso, assistam Jean Charles e tenham uma pequena noção sobre o quê é isso.

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  3. Não tive a oportunidade de ver o filme tambem, mas justamente por causa do Selton Mello, vou atras o mais rapido possível. Pra mim, ele é portador do título de melhor ator brasileiro.

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  4. Jean. Mas podia ser Fernando, Paulo, Leandro, Mateus, Vitor ou mesmo Carlos. Poderiam ser todos. Mas não deveria ter sido ninguém. Injusto, infeliz, triste acontecimento.

    O destino parecia escrito para Jean. Tudo conspirava a favor, inclusive as mutretas (algo comum e necessário num mundo fechado aos imigrantes) e como uma maré de azar, tudo virou.

    Mas o grande êxito de Goldman é no começo criar uma afetividade com o personagem principal para depois, com certa isenção jornalistica (portanto, nenhuma) contar o que aconteceu com o brasileiro. E faz um filme que alcança bom ritmo e consegue atingir seu objetivo.

    Das atuações, méritos à Selton Mello. Mas o trabalho dele nem é necessário comentar, sempre competente. Vou falar de um dos coadjuvantes que dá "liga" à história do personagem principal. É Luis Miranda, um dos melhores atores da nova safra do cinema brasileiro. Preste atenção à tranquilidade e naturalidade de sua atuação. E sempre é assim com ele.

    No fim diz: em 3 anos se passaram e não tivemos nenhum fim essa história. Agora já são 5. E nada será feito. Não morreu ninguem, morreu? Queria ver se fosse alguem conhecido... Quem quer tentar a vida fora do Brasil, prepare-se para ser apenas uma sombra. Para ser alguém, faltará algo. Nunca seremos iguais. Muito menos se for um muçulmano ou um brasileiro.

    Vitor Stefano
    Sessões

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