domingo, 13 de março de 2016

Glória Feita de Sangue


Nome: Paths of Glory
Ano:1957
Diretor:Stanley Kubrick
País: EUA
Elenco: Kirk Douglas, Ralph Meeker, Adolphe Menjou e George Macready.
Prêmios: Indicado ao BAFTA em 1958.
Glória Feita de Sangue (1957) on IMDb


O estrategista militar Carl Von Clausewitz  define guerra como a  continuação da política por outros meios.  Mais tarde, Michel Foucalt irá inverter os termos e definirá a política como a continuação da guerra por outros meios. Quer adotemos a visão do filosofo alemão, quer adotemos a visão do filosófo francês em "Glória Feita de Sangue" qualquer uma das duas serve.

Roteiro direto e simples: um general ordena um regimento a uma missão suicida durante a I Guerra Mundial. O fracasso da missão enseja o julgamento de três oficiais por covardia para servir de exemplo para o resto da tropa. O coronel Dax (Kirk Douglas), tenta defende-los em vão.

Não precisamos lembrar que estamos diante de uma obra de Stanley Kubrick diretor que transitou por todos os gêneros do cinema com desenvoltura e genialidade. É simples de notar pela preocupação com a luz em um filme preto e branco, as falas adaptadas do livro de Humprey Cobb são uma de política e maquiavelismo e o caráter dramático que encarna o filme dando lhe um ar de antibélico, apesar da temática da guerra.

Em paths of glory salta aos olhos a irrelevância das vidas que se perderam para que um único general enfeite o peito com mais medalha. Vários elementos surgem durante o filme que demostram o caráter nefasto que a disciplina pode ter. Um deles é  essa ideia de que um oficial  não pode contestar uma ordem superior. Vários momentos no filme a gente se vê preso à esse pretenso “sentido de dever”. Outro elemento que incomoda é a distância hierárquica que separa um cabo de um general em uma guerra. Para aquele as trincheiras; para este  um palácio com direito a conhaque e várias outras regalias que só um comandante pode ter em um período de guerra.



Kirk Douglas encarna o lado da esperança e, de certo modo, do idealismo ingênuo, de tentar mudar por dentro uma instituição cuja maior preocupação é a manutenção do status quo.

Além de ser um bom filme, que mistura ética, história, drama e relações de poder, Paths of Glory traz vários insights sobre a natureza humana. Há quem aprecie; há quem não.

Não faz muito tempo eu estava buscando alguma coisa pra ouvir e me deparei, sem querer, com essa música de Carl Barat and the Jackals  Glory Days que é uma homenagem aos 306 oficiais que foram fuzilados na I Guerra Mundial por “covardia” ou “deserção”.

 Vale a pena ver; vale a pena ouvir!


Fernando Moreira 
Sessões

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