sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Spotlight: Segredos Revelados


Nome Original: Spotlight
Ano: 2015
Diretor: Tom McCarthy
País: EUA e Canadá
Elenco: Mark Ruffalo, Michael Keaton, Rachel McAdams, Liev Schreiber, Stanley Tucci e Billy Crudup .
Prêmios: Bafta de Melhor Roteiro Original e Screen Actors Guild Awards de Melhor Atuação de um Elenco
Spotlight: Segredos Revelados (2015) on IMDb


Quando uma instituição secular, tema polêmico ou personagem dúbio é retratado no cinema há grande repercussão e apelo midiático. Não foi diferente com “Spotlight” que ao retratar um dos casos jornalísticos mais comentados nos últimos anos, bateu com luva de pelica na toda poderosa Igreja Católica com a polêmica sobre pedofilia. Há diversos filmes que mostram esse lado oculto da cúria e é sempre bom para contestar seus preceitos e conceitos enraizados há décadas. Mas o foco aqui é o jornalismo, sua mudança e a mudança de forma que o jornalismo passou (e passa) a ser feito na era da internet.

2001. O Boston Globe passava por uma mudança onde um novo editor chefe foi contratado para substituir um histórico editor. Uma mudança considerável, pois Marty chega com propostas ousadas e duras. A equipe especial (Spotlight), chefiada por Walter, é dedicada a investigações longas e “polêmicas” e a primeira missão do novo editor é reabrir o escândalo de acusações de pedofilia contra padres e bispos da Igreja da cidade que foi reportada com silêncio e pouca divulgação anos atrás. Uma decisão polêmica, mas os jornalistas entram de cabeça na investigação, com busca por depoimentos dos acusados e acusadores, jornalistas que cobriram o caso à época e sistema judiciário da cidade. Sempre em busca da história completa, unificando pequenas descobertas. E quem dá o tom de tudo é Mark Ruffalo. Não sou grande fã do ator, mas faz um competente personagem, com atuação comedida, mas firme. E o elenco é todo fabuloso com Michael Keaton, Rachel McAdams, Liev Schreiber, Stanley Tucci e Billy Crudup.


Num mundo em que lemos boatos a cada clique, com incontáveis erratas e com um jornalismo parcial, “Spotlight” é uma aula da profissão. Não adianta apenas ter a informação de uma fonte. Não importa ter um furo, se o buraco é tão maior. Não há a chance de não querer ouvir todos os lados. Não há a chance de ser injusto. E o filme torna-se também uma aula de cinema. Um cinema didático onde temos tudo no seu devido lugar. Roteiro redondo, atores na medida, trilha sonora bem colocada e direção firme. Está tudo em alto nível. Há quem diga que o didatismo no cinema é ruim, mas nem sempre. Às vezes menos é mais e quando se trata de um assunto tão duro, e Tom McCarthy fez a escolha certa não gerando pirotecnia na polêmica e esmiuçando o jornalismo como deve ser. Uma ode ao jornalismo.

A Igreja salva (e mata). O jornalismo noticia (e mata). As pessoas só morrem (e matam).

Vitor Stefano
Sessões

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