terça-feira, 31 de maio de 2011

Perdas e Danos

Nome Original: Damage
Diretor: Louis Malle
Ano: 1992
País: Reino Unido e França
Elenco: Jeremy Irons, Juliette Binoche, Miranda Richardson e Rupert Graves.
Prêmios: Bafta, ALFS Award e NYFCC Award de Melhor Atriz Coadjuvante (M. Richardson), Sant Jordi de Melhor Ator (Irons) e Atriz Estrangeiros (Binoche).

Perdas e Danos (1992) on IMDb



Uma sociedade perfeita não sabe até onde pessoas perfeitas erram. A sociedade moderna, em ua errática estrutural e cavalar, não se suporta erros. A intensidade deve ser moderada, a ganância inexistente, a ética acima de tudo e a parcimônia de vivermos todos num mundoharmônico. Nem num mundo idealizado por filósofos do século IV seria assim. Os conflitos humanos estão aí para determinar o futuro de todos. Se Jesus morreu para nos salvar, era melhor ele ter pensado duas vezes. Olha aonde chegamos.

Políticos corruptos são cada vez mais comuns de vermos e continuam impunes. Mas nem só de escândalos monetários eles vivem. Isso é uma prática que era famosa no passado. Cada vez mais essa raça se envolve em casos ainda mais dúbios para essa sociedade (em busca de ser) perfeita. Dr. Fleming é um líder do parlamento inglês, de família perfeita, com uma conduta política pura. A aparição Anna Barton mudou todo o comportamento “lórdico” do político. A namorada de seu filho desperta nele os sentimentos mais carnais e animais, nunca antes demonstrados - sempre na auto-mutilação de sentimentos para manter a aparência divinal que a vida moderna exige.


Muda a rotina, busca o anonimato, vive numa fuga eterna, mantêm as aparências, a canibalia desperta no coito e a vida segue normalmente, num sonho de deuses e demônios. Tudo isso na mente de Dr. Fleming. Anna, em sua beleza gélida, com um ar puro, desperta os melhores sentimentos no político e cria o caos na vida de uma família tradicional e normal - fria e distante. Anna é uma espécie de anticristo, a anti-heroína, onde seus sentimentos inexistem e onde suas perdas são os pilares de sua existência. Os danos são irreversíveis, mas como uma perfeita viúva negra (explicitado por suas roupas sempre no tom escuro) vive de sua auto-misericordia. A mistura cataclísmica entre Irons e Binoche transpassa para nós que no ato sexual tudo estava fora da ordem. Mas a ordem deles era querer estar fora dela. O mundo além daquilo é oco e isso fica claro com a indignação da Sra. Fleming e no olhar incrédulo da filha mais nova.


Anna demonstra bem o que a sociedade é (e quer). Um monstro de beleza angelical. Para todos perfeita, internamente morta. Somos adoradores de mortos e idolatramos o funesto. Nos vestimos de preto para demonstrar que a nossa auto-piedade vai além dos desejos pessoais. Se existe o bem e o mal, somos o filho dos dois. Malle mantêm sua fama de agitador social e faz com “Perdas e Danos” uma das maiores críticas à sociedade moderna, onde os sentimentos são controlados por uma miserável e aparente paz sem medir as conseqüencias.

Vitor Stefano
Sessões

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