quinta-feira, 24 de setembro de 2015

O Som ao Redor


Nome Original: O Som ao Redor
Ano: 2012
Diretor: Kleber Mendonça Filho
País: Brasil.
Elenco: Maeve Jinkings, Gustavo Jahn, Irandhir Santos.
Prêmios: Melhor Roteiro no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro, Kikito de Melhor Filme, Som e Diretor no Festival de Gramado, Melhor Filme e Roteiro no Festival do Rio, Prêmio do Juri no Festival Internacional de Rotterdam, Melhor Filme, Diretor, Roteiro e Fotografia no Festival do SESC e Melhor Filme de Estreante na Academia de Filme de Toronto.
O Som ao Redor (2012) on IMDb


O Brasil atual exposto de forma nua e crua. Se não há espaço para ideias diferentes, classes sociais distintas, status sobrepõe a capacidade, condomínios sendo salvação para a segurança, o medo acima da razão. A polarização é um fenômeno que chama atenção no nosso país, seja na política, na área social ou num simples duelo de times de futebol. O extremo voltou à moda e, infelizmente, parece que veio para ficar. Olhe ao seu redor. Perceba as discrepâncias que ocorrem. Os abismos que estão criados. Ouse dar uma opinião polêmica e prepare-se para as pedras. Em tempos de redes sociais, ser juiz é a profissão da moda dos brasileiros. Isso só acontece por uma grave crise ética que nos assola. A grama do vizinho é sempre mais bonita, mas ao invés de plantar o seu gramado, você joga praga do outro lado da cerca.

“O Som ao Redor” acontece em um quarteirão em Recife, mas ele consegue retratar todo um país. Através de tramas paralelas temos a impressão que veremos as várias histórias serem aproximadas aos poucos, mas não é exatamente isso que acontece. Todas tem o assunto segurança em voga. Durante as 2 horas e pouco de filme vemos, divididos em 3 atos - “Cães de guarda”, “Guardas noturnos” e “Guarda-costas”, que o medo assola todos e a busca pelo isolamento é exacerbada. Grades aparecem constantemente, assim como outros aparelhos eletrônicos ganham destaque, como televisão, celular, aviso sonoro para cachorros pararem de latir, câmera de segurança, radiotransmissor e máquina de lavar, numa mistura de ostentação e busca de status. Num Brasil tão atual, há momentos que nos remetem ao colonialismo, com tons de patriarcalismo e escravidão que causam calafrios.



Ruídos ensurdecem. Imagens incomodam. O que é a vida? Não é viver dentro de casa, escondido. Não é ter que contratar uma equipe de segurança amadora para fazer rondas na rua que mora. Não é comprar uma tevê maior que a do vizinho, só para aparecer. Não é ter que fumar maconha escondido no quarto, com o aspirador de pó ao lado para o cheiro não chegar à casa do vizinho. Não é ter que fugir do engenho por ter matado um capataz. Não é se vingar, mesmo que o maior mal tenha sido feito. Não é enclausurar crianças dentro de um condomínio, numa rotina casa-escola-aula de chinês-casa. Não viver debaixo da asa do avô rico. Eu não sei o que é a vida, mas cinema bom é “O Som ao Redor”.

Kleber Mendonça Filho já havia me surpreendido no curta “Recife Frio” pela inventividade e ousadia, mas em sua primeiro longa fez um marco cinematográfico. O elenco está afiadíssimo, tendo o Irandhir Santos como o mais famoso deles. O roteiro levita entre o lírico e a crueza da realidade. Ousado, reflexivo e provocador, “O Som ao Redor” faz pensar no hoje, na sua vida, no seu redor. Um filme fora da caixa.

Vitor Stefano
Sessões

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