sexta-feira, 17 de abril de 2015

Leviatã





Nome Original: Leviafan
Ano: 2014
Diretora: Andrey Zvyagintsev
País: Russia
Elenco: Aleksey Serebryakov, Elena Lyadova, Vladimir Vdovichenkov e Roman Madyanov.
Prêmios: Globo de Ouro e Festival de Palm Springs de Melhor Filme de Língua não Inglesa, Melhor Filme no Asia Pacific Screen Awards, Melhor Roteiro no Festival de Cannes.
Leviatã (2014) on IMDb

 



Não conheço o livro de Jó do Antigo Testamento onde Leviatã representa um monstro aquático gigantesco e demoníaco que amedrontava os navegantes durante a Idade Média. Não conheço o livro homônimo de Thomas Hobbes na qual indica que um governo central e autoritário seria comparado com um Leviatã: um monstro incontrolável que amedronta a população e oprime a liberdade. “Leviatã” é tudo isso. É poder, é povo oprimido, é Igreja aliada à este poder. O grande lance do filme é que tudo leva a crer que a verdade é criada e manipulada para quem está no poder, manter-se no poder. Leviatã pode ser um monstrengo. Leviatã é o Estado acima de tudo, apoiado por uma Igreja hipócrita levando vantagem sobre tudo e todos. Leviatã nada mais é do que a oficialização do poder soberano e nefasto.

Kolia é um mecânico que vive com sua jovem esposa e filho (de outro casamento) numa pequena cidade russa afastada da capital. A casa onde moram foi requerida pela prefeitura para uma construção do centro de comunicações do município. Nenhum problema se o proposto a pagar fosse uma quantia irrisória. Kolia, como qualquer cidadão de bem, foi ao juizado com uma avaliação isenta para que uma nova negociação e proposta fosse feita. Kolia, um cidadão de bem, não tem chances. Seu amigo advogado vem de Moscou tentar ajuda-lo. Mas como ajudar se a centralização do poder é algo que corrompe, corrói e destroça qualquer verdade. O jeito é beber vodka. O jeito é aceitar. Mas como aceitar se está tudo errado? Como deixar que seu patrimônio seja destruído? Como deixar que sua vida acabe? Uma sequencia de ocorrências nos levam a crer que é falta de fé de Kolia. Seria a punição divina? O poder é advindo de Deus, então o prefeito está com a verdade. A verdade nunca foi tão destrutiva.

Andrey Zvyagintsev fez um filme corajoso. A atual Rússia que é uma espécie de Leviatã com Vladmir Putin fazendo um governo opressor e centralizador. Claro que Kolya poderia viver em tantos outros lugares que nos fazem pensar que a Rússia é aqui. Um roteiro complexo, aliando religião, política e críticas à essas duas instituições, misturando com um drama pessoal. Belas imagens do litoral russo com elementos que nos remetem ao monstro do mar, com carcaças de baleias, mas vemos mesmo bispos com suas vestes e chapéus. Vemos mesmo Gorbatchev, Lenin e Putin. A corrupção é um mal que assola o mundo todo. O “poder divino” é um mal a ser combatido.

Vitor Stefano
Sessões

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