segunda-feira, 28 de abril de 2014

O Congresso Futurista



Nome Original: The Congress
Ano: 2013
Diretor: Ari Folman
País: Israel, Alemanha, Polônia, Luxemburgo, França e Bélgica.
Elenco: Robin Wright, Paul Giamatti, Harvey Keitel e Sami Gayle.
Prêmios: Melhor Atriz (Robin), Melhor Filme e Melhor Roteiro no Austin Fantastic Fest e Melhor Animação no European Film Awards.
O Congresso Futurista (2013) on IMDb

 


Desenhos já deixaram de ser sinônimos de filmes infantis há tempos. Certamente os mangás foram pioneiros nessa abordagem em formato infantil e assunto adulto, mas acredito que a popularização desse estilo foi com “Os Simpsons”, que já está no ar há 25 anos em horário nobre nos States. Com o sucesso muitos filmes continuaram a utilizar o desenho para contar histórias. Ari Folman fez isso magistralmente em “Valsa com Bashir” em 2008. Agora, em seu novo filme, volta a utilizar a técnica mesclando com um filme convencional. O resultado é “O Congresso Futurista”, uma verdadeira loucura. Uma viagem psicodélica. Um mergulho no fundo do ser humano.

Apesar de não ser um documentário ou uma biografia, a atriz Robin Wright interpreta a si própria. Vive uma atriz decadente, que tinha tudo para ter uma carreira brilhante, porém por equívocos em escolhas a fizeram ser uma atriz renegada e “esquecível”. Seu agente aparece com uma nova oportunidade. Talvez a última. É diferente de tudo que já se ouviu. Uma proposta ousada, diferente, porém uma nova tendência. Os atores são escaneados completamente, desde o corpo até expressões faciais. Todos esses movimentos gerarão um “ator virtual” capaz de reproduzir quaisquer solicitações de diretores e produtores. Assim que o contrato, válido por 20 anos, é assinado e a transposição digital é feita, o ser humano deve sumir do mapa, se isolar. Assim que a digitalização foi concluída, entramos num mundo virtual. Desenhos que beiram o infantil, de figuras loucas, mutantes e históricas. De Jesus a John Lennon. Todos estão lá, nesse congresso de um mundo de faz de contas. Nessa fábula (ir)real, onde a obsessão por ser mais que outro supera qualquer ética entre atores. Atuar é uma benção. Ser humano é uma loucura.



Folman construiu uma nova forma de contar histórias. Se em “Valsa com Bashir” vimos um documentário pessoal, percebemos que em “O Congresso Futurista” ele é capaz de criar um mundo absolutamente irreal espelhado nas loucuras reais. Mesclar filme tradicional com desenho é uma escolha muito acertada. O roteiro beira a psicodelia, num ritmo muito bom. Robin Wright é uma atriz pouco conhecida mesmo, mas aqui tem talvez o seu melhor papel. Ainda bem que antes de ser digitalizada. Será isso possível? Será? Tudo é possível.

Vitor Stefano
Sessões

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