terça-feira, 17 de setembro de 2013

Boca



Nome Original: Boca
Ano: 2010
Diretor: Flavio Frederico
País: Brasil.
Elenco: Daniel de Oliveira, Hermilia Guedes, Milhem Cortaz, Paulo César Peréio e Leandra Leal.
Prêmios: Calango do Festival Cine PE de Melhor Atriz (Hermília), Direção de Arte, Diretor e Trilha Sonora.
Boca do Lixo (2010) on IMDb




Sabe quando há boa expectativa sobre um filme e quando os créditos sobem você pensa: “Que merda!”. Foi o que aconteceu quando vi “Boca”. A temática sobre o centro de São Paulo da década de 50/60, a sua famosa Boca do Lixo e um elenco maravilhoso com atores do primeiro escalão como Daniel de Oliveira, Milhem Cortaz e Hermilia Guedes me faziam crer que estava em déficit com o cinema nacional por ainda não tê-lo visto. Bom, o cinema nacional me deve 2 horas de um bom filme após “Boca”.

Drogas, prostitutas, armas, roubos, mortes. A vida de Hiroíto sempre foi bem conturbada. Uma família desestruturada, um casamento muito jovem e o espírito empreendedor fizeram de um habitué frequentador e adorador dos bordéis, transformou Hiroito no dono da Boca do Lixo. Entre idas e vindas da prisão, o ladrão domina parte do centro da cidade por muito tempo, com seus bordéis, suas prostitutas e bocas de fumo. Numa época onde a polícia era totalmente corruptível (como se isso tivesse mudado), tudo era permitido numa zona delimitada que tinha um público cativo. Um negócio próspero. As amizades, as paixões e a sua astúcia fizeram do jovem um mito. E esse mito torna-se um monstro, sem limites, sem identidade, sem escrúpulos.


A parte técnica do filme de Flávio Frederico é seu auge. A ambientação de época e figurino está ótima e é o ponto alto de toda a película, que consegue criar um clima noir para o belo cento de São Paulo dos anos 50. Porém, a cronologia longa, a falta de conexão entre as fases e as cenas faz de “Boca” um filme vago, sem identidade com o espectador. Prostitutas, sexo, maconha, sexo, cocaína, prisão, sexo, qualquer outro tipo de droga e, por fim, sexo. Para um público tão preconceituoso com seu próprio cinema, “Boca” pode ser o típico filme que aumenta essa paúra de cinema nacional. O mito do Rei da Boca morreu após “Boca”. A podridão do centro da capital paulista contaminou o espírito do filme e deu a cria a um filme esquecível.

Vitor Stefano
Sessões

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