segunda-feira, 22 de julho de 2013

Tudo o Que Desejamos



Nome Original: Toutes nos Envies
Diretora: Philippe Lioret
Ano: 2011
País: França.
Elenco: Vincent Lindon e Marie Gillain.
Sem Prêmios.
Tudo o que desejamos (2011) on IMDb


Uma mãe dedicada, uma profissional competente, uma esposa carinhosa, uma mulher forte. Ela vai morrer. Vai e não há salvação. O que fazer quando se sabe que não salvação? Como aproveitar os últimos dias, quem sabe meses, de vida? O que se passa na cabeça de alguém que recebe essa notícia? Não tenho a mínima ideia, mas “Tudo o que Desejamos” é um relato simples e belo dos últimos dias de uma mulher fantástica que buscou deixar na terra uma lição de boas maneiras e de caráter. Um assunto que normalmente cairia numa narrativa piegas ou melodramático é uma pequena ode à simplicidade das questões humanas e sociais. 


A vida de Claire é absolutamente incrível. Casada com um chef, 2 filhos lindos e muito bem reconhecida no trabalho como juíza. Tudo começa a mudar no momento que reconhece a mãe de uma amiga da creche de sua filha num julgamento. Entendendo a dificuldade da moça, julga de forma a tentar ajuda-la contra a financeira que a processa. Cria aí uma grande amizade, mas junto, um grande desafio. Por ter sido considerada parcial, outro juiz é convocado para o caso. Aí começa outra amizade. Junto a essa empreitada surge um câncer no cérebro num local inoperável. Opta por não fazer tratamento. Opta por morrer sã, sem a agonia que os tratamentos causam. Opta por não contar a ninguém e definha com o passar dos meses. A (resto da) vida de Claire passa a ser guiada pela obsessão em ajudar Céline com o guardião Stéphane. A paz de espírito estará nas mãos da justiça, que como aqui, é lenta (não tanto). A morte sempre foi nossa única certeza. Escolher como ocorrerá é uma dádiva. Claire deixou mais do que uma causa vencida, deixou todos em sua volta aptos a continuar vivendo como se nada tivesse acontecido.


É a prova definitiva que sou ainda mais fã de Phillippe Lioret. Todos os seus filmes que vi (“Não se Preocupe, Estou Bem!” e “Bem Vindos”) são aulas de como se contar uma história da forma simples, mas absolutamente envolvente. Lioret consegue seguir um trilho de grandes diretores franceses que primam pela destreza de capturar o expectador pela imagem, pelos diálogos e envolvendo definitivamente pela trilha sonora. “Tudo o que Desejamos” deixa o diretor entre os meus prediletos do cinema contemporâneo. Pelo tema duro, há momentos de extrema poesia, como o mergulho no rio gelado. A ligação de amizade entre Claire e Stéphane é uma linda prova que a amizade é mais palavras de carinho e sim uma cumplicidade que não precisa de palavras para existir. A troca de olhares é mais complexa que um lindo e longo texto explicando o que é o amor. 

Vitor Stefano
Sessões

Um comentário:

  1. Eu gostei demais desse filme. Eu já vi 'Bem Vindos', mas ainda não vi 'Não se Preocupe, Estou Bem'. Vou providenciar já! Vida longa ao blog!

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