terça-feira, 9 de julho de 2013

Branca de Neve



Nome Original: Blancanieves
Diretora: Pablo Berger
Ano: 2012
País: Espanha, França e Bélgica.
Elenco: Maribel Verdú, Daniel Giménez Cacho, Ángela Molina, Macarena García e Sofía Oria.
Prêmios: Goya de Melhor Filme, Melhor Atriz (Verdú), Fotografia, Figurino, Maquiagem, Atriz Revelação (Macarena), Trilha Original, Canção Original, Direção de Arte e Roteiro Original, Melhor Atriz (Macarena) e Premio Especial do Juri no Festival Internacional de San Sebastián.

Blancanieves (2012) on IMDb 




Não há o que dizer. Está entre os melhores filmes do ano. Irreparável. Nem começarei a adjetivar, pois me perderei no deslumbramento causado pelas maravilha que vi. Como disse Pablo Berger na apresentação do filme na pré-estreia: “Saiam deste mundo por uns momentos e viagem”. E você não precisa se preparar, pois cada momento, as músicas, as imagens e a beleza te prendem sem te deixar perceber que estamos vendo um filme conhecido. Conhecido? Quem conta um conto aumenta um ponto. Aqui, essa máxima não cabe, pois imagine um conto de fadas. Colorido, né? Não. Cheio de cantoria e frases de efeito? Não. Se for Branca de Neve certamente teremos os 7 anões, certo? Não, nada disso. Aqui são 6 e eles são toureiros. É um conto. Um nome. Uma releitura. Esqueça aquilo que você ouviu e contou milhares de vezes e abra sua mente. Uma obra de arte esse Blancanieves de Pablo Berger.

 

Anos 20. Espanha. Antonio Villalta é a grande estrela das touradas, uma grande celebridade. Por acaso do destino, no ato final, no sacrifício um golpe duro o deixou paraplégico e sob cuidado de uma enfermeira obscura. Sua mulher, grávida, não suportou ver seu amor ser golpeado pelo touro e padeceu. A criança nasceu, mas Antonio nem quis saber da pequena Carmen que ficou sob olhar atento, cuidadoso e carinhoso da avó. Carmencita cresceu idolatrando o pai que não conheceu. Quando a avó falece ela é levada para a casa do pai que está lá apenas de corpo. Encarna, a tal enfermeira, a renega e despreza. Carmem cresce trabalhando duro e sem a chance de sair daquele mundo. Entre uma escapada e outra encontra o seu pai herói preso a uma cadeira de rodas, renegado a olhar para onde a cadeira indica. Encarna é a bruxa da história, sem verruga no nariz ou dedos longos, está interessada na fortuna que o toureiro acumulou. Está interessado em não ter herdeiras pela frente. É capaz de tudo. Bem atual.


Já estou me estendo demais. Não preciso me aprofundar tanto. É preciso ver. 

Certamente há elementos que me prendem e fizeram com que esse esteja entre os meus filmes prediletos. Durante a projeção, durante as touradas, lembrei insistentemente de meu filme predileto, “Fale com Ela”. Não apenas pela forma como a tauromaquia é retratada, mas pelo envolvimento, pela paixão que tem naquelas imagens. Mesmo não tendo as cores de Almodóvar, há algo ali que me claramente me remeteu a ele. Não sei porque, mas me remeteu a outro filme espanhol pelo lado sombrio: “O Labirinto do Fauno”. Imagine uma mistura dessas. 


Pago com a língua, pois nunca fui dos grandes fãs de filme mudo que são, normalmente para mim, soníferos. Falar da fotografia em filmes B&P é chover no molhado, mas não dá para negar a sua beleza. Acho que desde o primeiro capítulo de “Anticristo” não era usado com tanta habilidade. Claro que comparações com “O Artista” serão comuns pelo frisson que o filme francês causou levando a estatueta do Oscar. Poderia ter sido “Branca de Neve”. E os atores... Que escolha, que maravilha. Não dá para falar da exuberância que ficou Macarena García (Carmem/Branca de Neve) em branco e preto. Maribel Verdú como Encarna também está fantástica. Afinal, todo o elenco está genial.
Não percam a chance. É encantador ver um projeto que se desenvolveu por 8 anos. O resultado compensou tanto trabalho. É um mergulho sensorial na beleza que só o cinema pode nos gerar.

Vitor Stefano
Sessões

2 comentários:

  1. Fui assistir hoje. Como não gostar! Imperdível!

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  2. Confesso: Sempre gostei de contos de fadas e me interesso pelas diversas adaptações televisivas e cinematográficas que surgem por aí, mas a versão do diretor Pablo Berger para "Branca de Neve" supera qualquer expectativa. Excelente, só para dizer o mínimo. Uma das melhores, se não a melhor, adaptação de contos de fadas que vi até hoje.
    Impressionante como o filme preserva todos os elementos cruciais da narrativa original ao mesmo tempo em que os transporta para outro universo, com referências cênicas muito distintas, explorando o lado sombrio do conto sem perder sua aura etérea.
    Sublime, hipnotizante, imperdível.

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