quinta-feira, 2 de maio de 2013

A Senhora e A Morte


Nome Original: La Dama y La Muerte
Espanha, 2009
Direção: Javier Recio Gracia
“Elenco”: Eva Molina e Miguel Angel Perez.
Duração: 8 min.
The Lady and the Reaper (La dama y la muerte) (2009) on IMDb

O curta possui uma história simples, porém, eficiente. É quase um remake dos antigos desenhos de perseguição.
Resumindo, trata-se de uma velhinha, daquelas que lembram algumas avós, que vive sozinha no campo e está, curiosamente, ansiosa pela vinda da morte, para que possa rever seu falecido marido. Quando o ceifador vem buscá-la, é salva por um médico todo afetado e cheio de si. A partir daí, inicia-se uma disputa frenética pela vida da velhinha.
Tecnicamente falando, tem roteiro bem humorado, cenários bem construídos, fotografia primorosa, trilha sonora competente e finalizações refinadas, que resultam num curta muito bem produzido. Inicia-se esboçando algo muito melancólico, mas logo se torna mais leve e garante a diversão.
Apesar da leveza, é uma crítica interessante à condição humana, que não sabe aceitar a temporalidade da vida e trava uma batalha contra a morte, seja ela consciente ou não. Na vida habitual, o Homem age como se pudesse controlar ou se conformar ao tempo e aos seus desejos (na animação, representado pelo médico). Camus aponta esta postura como uma atitude pretensiosa do domínio dos nossos atos de fazer planos:

“Antes de encontrar o absurdo, o homem quotidiano vive com finalidades, com uma preocupação de futuro ou justificação. Ele avalia as suas possibilidades, conta com o mais tarde, com a sua reforma ou com o trabalho dos filhos. Ainda julga que qualquer coisa na sua vida se pode dirigir”.

Entretanto, para o autor, essa relação ingênua com a temporalidade é um índice da falta de experiência dos estranhamentos vindos da absurdidade da existência humana.
Outro aspecto abordado no curta, numa linha de pensamento muito semelhante à temporalidade, é o Direito de Morrer. O tema é interessante porque traz à cena a questão
da humanização da morte. Porém, essa discussão ainda é entendida como um sacrilégio. A maioria dos médicos continua tentando até o final prolongar a vida do paciente, mesmo que isso signifique mais sofrimento. A questão complica quando se começa a discutir quem é que decide como e quando a morte deve acontecer: o indivíduo optando pelo seu destino, a sociedade cheia de ranços e amarras cristãs ou o médico que necessita inflar seu ego.
O que ocorre é que há no Homem, um “desejo alucinado de durar”2 em constante contraste com a incerteza da vida humana, que se desfaz no tempo e cujo ápice é seu próprio fim; que é a estrutura inevitável da existência humana.

Por Mateus Marques Tozelli
De Brasília

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