sexta-feira, 15 de março de 2013

Lemon tree ou como os palestinos e isralenses não sabem fazer limonada



Nome Original: עץ לימון
Diretor: Eran Riklis
Ano: 2008
País: Israel, França e Alemanha.
Elenco: Hiam Abbass e Rona Lipaz-Michael
Prêmios: Panorama Audience Award no Festival de Berlim e Melhor Atriz (Hiam Abbass) pela Academia Israelense de Cinema, 
Etz Limon (2008) on IMDb

             Quando Yasser Arafat, em seu famoso discurso na ONU, em 1974, disse: “trago em uma das mãos o fuzil de um combatente e na outra o ramo de oliveira, não deixem o ramo de oliveira cair de minhas mãos” e repetiu três vezes para que não deixem o símbolo da paz, o ramo de oliveira, cair de suas mãos. O então presidente da OLP, proclamada pela ONU como única e legítima representante do povo palestino, foi ovacionado de pé pelos países membros daquela Assembléia Geral.O que isso tem a ver com filme Lemon Tree? Nada, apenas estou parodiando um recurso linguístico non - sense do Mateus !!!!

             Se disse que em nada as coisas se relacionam fui leviano,na verdade, Lemon tree é uma parabola sobre o conflito secular envolvendo palestinos e israelenses na conturbada região de Jerusalem.

             O roteiro coloca de um lado uma viúva palestina Salma Zidane (Hiam Abass) que vive do comércio de seus limões e de outro a esposa do Ministro da Defesa de Israel  Mira Navon (Rona Lipaz Michel) que acompanhando o seu marido se muda para a região e exige que se corte os limoeiros abaixo seguindo recomendação da serviço de inteligência que teme  a plantação seja usada por terroristas pondo em risco a vida do ministro.

          Salma Zidane (Palestina), ao ver sua plantação ser completamente confiscada e cercada pelos seguranças do ministro busca ajuda no advogado da Autoridade nacional Palestina que aceita o caso e abre o processo.

          Como sói acontecer nesses casos jurídicos o processo vai subindo os degraus da burocracia e a  situação se complica quando a esposa do Ministro de Israel (Mira Navon) dá um entrevista para um tabloide de Tel-Aviv informando do desejo do Ministro em destruir a plantação e abrindo sua relação conturbada com o ministro por quem aliás é traída.

           Do outro lado da cerca o advogado começa a se relacionar com a viúva e a relação ganha o domínio público que passa a enxergar Salma como uma esposa que não honra a memória de seu marido pois o costume (sempre ele) é quem dita o que é certo e o que é errado e em jerusalém ele diz que a viúva deve zelar pela memória do falecido esposo inquestionavelmente.

          O desenlace da história acontece na Suprema Corte de Justiça de Israel que decide pela construção de um muro entre as duas propriedades e pelo corte de parte dos limoeiros. Parece que a até a justiça daquela região vê a solução de todos os males no levantar-se muros para apartar um povo do outro.

       Apesar de ser ambientado na região conflituosa que é a região de israel o filme não mostra em suas cenas imagens do conflito diário que subjulga os povos dessa região.Por outro lado um conflito que envolva de um lado Israel e de outro palestinos sempre é um tema pra mídia e os oportunistas de plantão que tendem a sensacionalizar a questão transformando-a em uma suposta luta entre Davi e Golias.

       Uma citação interessante é a do ministro de israel quando fala que "Israel só vai conseguir dormir em paz quando os palestinos tiverem pelo menos esperança".É pena que na vida real ninguém se tocou disso ainda.

       Filme bom, leve apesar de tudo ,com boas atuações que joga uma luz em um conflito milenar que tende a se manter do modo como está. É um filme fora do eixo de Hollywood feito por europeus e israelenses que demonstra um pouco da difícil condição humana de conviver em paz com o vizinho.Dessa arvore de limão ninguém fez uma limonada.

Fernando Moreira dos Santos
Sessões de cinema

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