terça-feira, 4 de setembro de 2012

Intocáveis




Nome Original: Intouchables
Diretores: Olivier Nakache e Erick Toledano
Ano: 2011
País: França
Elenco: François Cluzet e Omar Sy.
Prêmios: Cesar de Melhor Ator (Omar Sy) e David di Donatello de Melhor Filme Europeu.
Intocáveis (2011) on IMDb


Sabe aquela sensação de após subirem os créditos do filme e você fica extasiado, numa sensação de leveza e paz, onde parece que não há mais ninguém em seu entorno e a sua vida está em segundo plano após as imagens que você acabou de ver. Sabe quando você perde a noção dos problemas, afazeres, preocupações que lhe pareciam vitais, que tomavam todo o seu pensar antes de sentar à poltrona, mas em questão de instantes eles parecem tolos e superados. Não sei se isso já aconteceu com vocês, mas “Intocáveis” conseguiu fazer isso comigo. 

A história do milionário Philippe teria tudo para ser um poço de boçalidade, na busca pela sobrevivência como uma erva daninha esperando a graça divina da morte para superar a tetraplegia. Cuidadores cultos, cursados, “bom-moço” estiveram sempre ao seu lado para deixar a vida de alguém que só se move do pescoço pra cima ainda mais monótona. Quando aparece Driss, o filme, a história, a vida de Philippe muda completamente. Ele, interessado apenas num documento para garantir o seguro desemprego, cativa com seu jeito non-sense, visceral, autêntico e, acima de tudo, não piedoso à condição do contratante. Apesar de seu aspecto pouco confiável e que gera certo receio de sua equipe de apoio por ser negro, africano, ex-prisioneiro, Philippe, apesar de sua incapacidade é o senhor de seu destino e faz com que Driss seja seu ajudante para dar banho, tirar e por na cadeira de rodas, levar para tomar um ar ou segurar o telefone enquanto fala. A história de cada um tenderia a rumar cada um para a sua morte – lenta ao tetraplégico e fatalmente rápida ao imigrante, mas por razões que não são controláveis, eles se salvam, tornam-se um só, tornam-se intocáveis.


Um sucesso de público nunca antes visto na história do cinema francês. “Intocáveis” bateu todos os recordes da história da França por ser um filme comercial na medida exata. Agora que você leu “filme comercial” e torceu o nariz, não o faça de modo algum, esqueça a Hollywood que tanto nos proporciona filmes rasos e vazios. O filme dirigido por Olivier Nakache e Eric Toledano é a perfeição em forma de cinema. Num cinema tão rico como o francês, não me julgue por não estar falando de Godard, Truffaut ou Resnair, mas seus filmes são profundos e por vezes não conseguem atingir a gregos ou troianos. Já Intochables é um mistério. Não há como não ver e sair do cinema com a sensação que descrevi no primeiro parágrafo. É impossível. E tudo ainda fica melhor quando um roteiro “perfeito” é feito por atores que estão e estarão eternamente marcados com os personagens.

Já vimos muitos atores fazendo personagens debilitados e que deram um show, como Javier Barden em “Mar Adentro”, Al Pacino em “Perfume de Mulher” ou mesmo o francês Mathieu Amalric em “O Escafandro e a Borboleta” e François Cluzet entrou nesse grupo. Maravilhoso e preciso. Mas é impossível não ficar agraciado, porque não apaixonado, apenas com a figura de Omar Sy dominando a tela. É um tipo de mistura perfeita que chega a uma receita que você ama, sempre tenta, mas nem sempre dá 100% certo. “Intocáveis” deu muito certo então vou anotar no meu caderno, ter na minha videoteca, ver de novo no cinema, ver semper que passar na televisão. É um filme que estará eternamente intocável em minha memória.



Vitor Stefano
Sessões

2 comentários:

  1. Um belíssimo filme sobre amizade. Esta que pode vir de onde menos esperamos, em situações nunca antes imagináveis, mas que só dependem de nós para que existam, só precisamos nos permitir.A delicadeza do filme aliada ao humor ácido criou uma combinação explosiva na tela, é impossível não se sensibilizar, rir, chorar e aplaudir o resultado.

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  2. Vito, parabéns pelo texto. Trouxe o melhor do que se pode depreender do filme. Adicionaria a lista de filmes com personagens debilitados a atuação do Daniel Day-Lewis em "Meu Pé Esquerdo". Parabéns novamente :)

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