segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Noel – Poeta da Vila

Nome original: Noel – Poeta da Vila
Diretor: Ricardo Van Steen
Ano: 2006
País: Brasil
Elenco: Rafael Raposo, Camila Pitanga, Lidiane Borges, Paulo César Peréio, Jonathan Haagensen.
Prêmios: Melhor Direção de Arte, Melhor Edição de Som e o Prêmio Especial "Orgulho de Ser Brasileiro" no Festival de Cinema Brasileiro de Miami, Melhor Filme - Júri Popular, na Mostra de Tiradentes.
Noel - Poeta da Vila (2006) on IMDb


Ter um ícone nacional retratado na grande tela não é algo muito comum no cinema brasileiro. A falta de coragem ou de interesse pelos nomes que marcaram o país muito me encafifa. E mesmo os que já foram feitos, comumente eles não tem impacto ou apelo do público. O brasileiro prefere ver as histórias dos heróis dos outros ou daqueles interplanetários e imaginários do que das nossas raízes. Queremos mais, queremos nossos heróis, anti-heróis. Queremos o Brasil cuspido e escarrado na telona. Queremos nossos grandes nomes. Queremos outros Noels.



A casta Ceci encontrou seu Peri em Noel, como o guerreiro vermelho em pele de branco e fazendo coisas de negro. Mesmo muito debilitado pela tuberculose ele não media esforços para que o prazer de viver estivesse acima de tudo. O coito entre os apaixonados onde as máscaras protegem e distanciam é um marco no cinema – nunca antes vi uma cena de sexo tão plasticamente bela. Uma paixão que não resultou em casamento. Noel já estava casado, e não com a mãe de seu filho, mas com a vida boêmia. O seu verdadeiro filho é o samba que ainda hoje o consagra. Quem imagina que a vida nos anos 20 era pacata e monótona, não sabia o que era a noite carioca ao lado dos eternos Noel, Cartola, Mario Lago e Araci de Almeida. A nata do nosso maior patrimônio musical começou nos botequins, bordeis e casebres da antiga capital sob a batuta dos nossos eternos poetas. Noel, um grande nome, uma história marcante.


 A música do Brasil é um dos nossos maiores marcos no mundo, e com o poeta da vila, tudo fica mais belo quando os acordes saem como componente de uma música que é a cara desse país. A vida de Noel precisa ser vista, revista, precisamos mesmo é olhar para o espelho e vermos, abraçarmos o Brasil. Que tenham ambição de fazer mais filmes sobre nossos ícones. Malandro? Gênio? O que importa é que você agora sabe como nasce um samba.

Vitor Stefano
Sessões

4 comentários:

  1. Há uma música popular brasileira antes e depois de Noel, seus temas, sua musicalidade, sua poesia absolutamente coloquial.

    Um gênio, com toda a responsabilidade que este termo carrega. Um jovem poeta, filósofo, músico, um ilustrador da alma de uma época, um artista original, o mais vanguardista dos sambistas. Também morreu aos 27, mas seus êxitos o fazem imortalizado para quem aprecia música e poesia genuína.

    Penso que o filme é uma homenagem mais que merecida.

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    Respostas
    1. "A filosofia hoje me auxilia a viver indiferente. Assim, vou fingindo que sou rico pra ninguém zombar de mim.

      Quanto a você da aristocracia há de viver eternamente sendo escravo de gente que cultiva hipocrisia."

      Excelente filme que me abriu os ouvidos há um grande artista e ícone da história e da música brasileira.

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    2. Corrigindo: "Quanto a você da aristocracia que tem dinheiro mas não compra alegria, há de viver eternamente sendo escravo dessa gente que cultiva hipocrisia".

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    3. Poderíamos ficar horas citando Noel. Vai um trecho de João Ninguém:

      João Ninguém
      Não tem ideal na vida
      Além de casa e comida
      Tem seus amores também
      E muita gente que ostenta luxo e vaidade
      Não goza a felicidade
      Que goza João Ninguém!

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