segunda-feira, 12 de março de 2012

O Porto


Nome Original: Le Havre
Diretor: Aki Kaurismäki
Ano: 2011
País: Finlândia, França e Alemanha
Elenco: André Wilms, Kati Outinen e Blondin Miguel
Prêmios: FIPRESCI no Festival de Cannes.
O Porto (2011) on IMDb



Em tempos de redes mundiais, de conexões supersônicas, de relacionamentos à distância, quando a verdade aparece dentro de um container somos levados a crer que o mundo envereda para um abismo sem fim. Ver seres humanos fugindo da realidade, indo para um mundo que não lhes pertence em busca de uma felicidade que não existirá. O mundo é de todos, mas nem todos tem direitos iguais. Vemos em cada cidade pequenas Torres de Babel onde a diferença das raças, nacionalidades, línguas se misturam numa linguagem universal: a intolerância. O ser humano é racionalmente irracional para dividir pertences que não lhes pertence, incapaz de dividir o pão de cada dia, a terra que habita a pele que queima num sol de noite enluarada. Não há esperanças para terras onde humanos ainda reinam e não pensam. As esperanças estão concentradas em pequenas atitudes de pessoas espalhadas em cantos encantados pelos portos e estações. A vida só será melhor quando todos olharem para os outros e se verem – quando o porto estiver dentro de si - quando olhar para o próximo seja mais do que apenas ver.


A vida pacata em Le Havre é tudo o que um boêmio como Marcel queria: calma, paz e um cantinho para descansar a carcaça ao lado de sua esposa Arletty. Um vilarejo simples que podemos ver na abertura de um guarda roupa. Quando sua mulher é acometida por uma doença que não conhecemos e não temos esperança que ela continue bem, Marcel, que vive de engraxate, passa a ter um contraponto em sua vida: Idrissa, ou podemos chamar de o anjo que caiu do céu. A olho nu, ele seria apenas mais um, aliás, menos um, pois os imigrantes são invisíveis ou procurados com a faca nos dentes. 

Ao ver o Sr. Marx acolher o menino congolês foragido, “um terrorista”, que viajara dias dentro de um navio dentro de um container para chegar à terra prometida, Londres, a procura de sua mãe, em busca da ressureição. O socialismo incrustado no nome de Marcel faz com que as pessoas a seu redor olhem para a situação com olhos de afeto, com olhos fraternos.  Sensibilizados o ranzinza verdureiro, a mão de vaca padeira tornam-se um abrigo, para não dizer porto, às aventuras suburbanas a qual a dupla Marcel-Idrissa correrão na busca do velho em ajudar o novo a encontrar o caminho – incerto, mas satisfeitos por estar realizando um sonho de uma criança sem sonhos.


Fábulas contemporâneas como essa de Aki Kaurismäki aparecem para nos aquecer as esperanças de que dias melhores virão. Um conto de fadas com fadas sem asas e sem aboboras que viram carruagens. A verdade é muito menos criativa, mas a possibilidade de ver uma alma esfacelada sorrir nos faz pensar que somos apenas aquele grão de areia dentro de uma praia indevida para banho, mas que se unirmos as forças, podemos ser levados pelo mar e sermos felizes para sempre com quem quisermos. As esperanças surgem a cada respiro, pois apenas poderemos viver de milagres, pois o pessimismo já está osmoticamente em nosso ser. De risos inimagináveis a uma aprensentação de um rockstar local, o filme é um sal de frutas na azia que o mundo moderno nos causa. Se quiser sair do cinema com a alma limpa, um sorriso no rosto e uma ponta de esperança no coração vá ver o maravilhoso “O Porto”. 

Vitor Stefano
Sessões

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