quinta-feira, 19 de março de 2015

Cópia Fiel


Nome Original: Copie conforme
Ano: 2010
Diretor: Abbas Kiarostami
País: França, Itália, Bélgica e Irã
Elenco: Juliette Binoche e William Shimell.
Prêmios: Prêmio da Juventude e Melhor Atriz no Festival de Cannes.
Cópia Fiel (2010) on IMDb


 “Não é o objeto que importa, mas sua percepção dele”

Numa cidade da Toscana, vemos uma palestra de um historiador de arte inglês questionando a importância da originalidade de obras de arte e o valor das cópias feitas. A obra original causa mais impacto que a cópia? Como identificar que o original é original? Reproduções têm valor artístico ou o valor sentimental sobrepõe tudo? Na pequena plateia, a dona de um antiquário cochicha e se comunica com o filho adolescente que está ansioso para deixar o recinto. Ela quer estar ali. Ela quer falar com ele. Deixa um bilhete para que ele a encontre no dia seguinte em sua loja. 

A francesa Elle recebe James Miller, que precisa voltar para a Inglaterra, mas eles saem pelas belas ruelas sempre discutindo sobre o valor da arte, como é estar no berço do Renascimento, visitam uma região conhecida por abrigar casais em matrimonio. A sinergia entre os dois é tamanha que por momentos nem prestamos atenção em que estão falando. Por vezes é absolutamente inteligível. Por vezes nem mesmo estamos ouvindo o que estão falando. Estamos observando a obra e o que pode nos causar. Interessante mesmo é que por vezes eles falam em línguas diferentes e nem nos damos conta disso. A intensidade do encontro aumenta quando em um café, James precisa sair para atender um telefonema e a dona do lugar conversa com Elle sobre as agruras do casamento, entendendo que são um casal. A partir dai, não há mais um filme. Há uma aventura interpretada como você quiser. Com o valor que você quiser dar. Com a percepção que você dá a ela.





É o primeiro filme de Abbas Kiarostami fora do Irã, mas sua marca está lá. Um cinema observador. Pelos personagens, pelo tema, pelo reflexo. Temos closes insistentes em Binoche e Shimell, mas contemplamos o ambiente e vemos o mundo por reflexos em vidros, espelhos, pela janela. Sem definir nada, Kiarostami faz de um filme uma obra contemplativa, onde você fica pensando, imaginando as possibilidades, imaginando o que pode ser. O que realmente acontece entre Elle e James? O que realmente importa? Se nada se cria, tudo se copia, Kiarostami tira da cópia uma originalidade nunca vista antes. Um filme impecável. Lindo.

Vitor Stefano
Sessões

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