segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

O Senhor do Labirinto




Nome Original: O Senhor do Labirinto
Ano: 2010
Diretor: Geraldo Motta Filho
País: Brasil
Elenco: Flavio Bauraqui, Maria Flor e Irandhir Santos
Prêmio:
Melhor Filme na escolha do júri popular do Festival do Rio de 2010



Um ser de divina loucura. Entre delírios, conhecemos Bispo e as vozes que o seguem. Elas lhe dão diretrizes e punem. Bispo ouve Deus e os anjos, que o declaram com o Salvador. Jesus na Terra. Na verdade o sergipano está num hospício no Rio de Janeiro e sua força física, adquirida na Marinha e por ser pugilista amador, o deixa em vantagem nessa prisão. Ele é chamado de xerife, tem a chave e todos os vigilantes confiam nele, principalmente Wanderley. Seu convívio com os demais internos é tranquilo, na qual não aparenta muito contato. Ele vive num mundo só seu, com os seus, com quem crê, com quem vê sua aura divina. Entre devaneios cria o castelo do Rei dos Reis, com representações: miniaturas, estandartes, barcos e roupas, se prepara para a subida aos céus. Jesus Bispo. Suas criações atrai curiosidades e até um documentário sobre ele e suas obras foi feito. Foi exposto em grandes galerias e na Bienal de Veneza. Bispo não morreu, ele foi para perto dos seus. Bispo está eternizado.



Nunca tinha ouvido falar de Arthur Bispo do Rosário, como acredito que muitos nunca ouviram. Ignorância pura. Um artista puro, que conseguiu sobrepor o estigma de louco e brilhou com sua delicadeza e visão peculiar do mundo. O filme é pesado. Tem um inicio conturbado e muito intenso, com câmera rápida e no ombro, mostrando o mundo como visto aos olhos de Arthur e suas vertigens. Chega a dar vertigem. Mas uma montagem confusa, com muitos cortes entre takes que não precisavam existir, fragilizam o filme como obra cinematográfica. Outro pecado é a maquiagem do personagem Wanderley quando fica idoso. A luz escancara os detalhes do rosto de Irandhir Santos, chegando a dar impressão de ser mal feita. Um pequeno pecado, mas tudo é superado enquanto vemos Flávio Bauraqui. Ele faz Bispo. Ele é Bispo. Bauraqui faz a sua grande interpretação da sua vida, numa intensidade que comove, que perturba, que enche a alma. Sua entrega faz arrepiar. Não conhecia o artista Arthur, mas sei que Bauraqui nos trouxe ele, e lá dos céus ele agraciou o ator. Geniais, Arthur Bispo do Rosário e Flávio Bauraqui.

Vitor Stefano
Sessões

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