domingo, 17 de fevereiro de 2013

Hotel Atlântico



Nome Original: Hotel Atlântico
Diretor: Suzana Amaral
Ano: 2009
País: Brasil
Elenco: Julio Andrade, Gero Camilo, João Miguel, Mariana Ximenes e Helena Ignez.
Prêmios: Melhor Filme no Festival Latino Americano de Lima, Melhor Ator Coadjuvante (Gero Camilo) no Prêmio Contigo e no Festival Internacional do Rio e APCA de melhor ator para Gero Camilo.





Um transeunte. Uma cidade. Um hospede. Hotel Atlântico. Sexo no quarto ao lado. Um desocupado no espelho, um desocupado. Um uísque. Um cansado. Um taxi pra a rodoviária. No caminho conhecemos um pouco o protagonista. Um ator, um alcoólatra, um cansado.  “Vai se fuder, filho da puta”. Sem destino, escolhe Florianópolis. Mas podia ser Curitiba, Belo Horizonte, Inferno. Uma polonesa sentada ao lado. Um circo sexual montado, dividindo cobertor. Desembarca e reembarca, ela não está mais lá. Nada aconteceu. Um bar. Mais um drink. Carona para o Sul. O caminho nem sabe. Os colegas, nem sabe. Ao chegar, sabe que a morte o persegue. O artista deve morrer. O artista não está morto. Nunca questiona, apenas ouve. Seus olhos de sexo seguem cidade a cidade, morador por morador. Amizades, conhecidos, desencontros, desilusões. O tal ator não quer mais viver. O absurdo de sua vida não é apenas viver, é saber que nada pode dar certo.


“Hotel Atlântico”, filme da veterana Suzana Amaral, conversa com um tipo de cinema que faz muito sucesso no público cult, mas sofre o preconceito de ser nacional. Se fosse “Atlantic Hotel” de David Lynch ou “Albergo Atlantico” de Michelangelo Antonioni certamente estariam nas prateleiras de colecionadores, seria alvo de comentários exitosos por anos, estariam nas listas de melhores. Não atirem ainda as pedras. Mas, pense, Júlio Andrade seria venerado e marcado pelo personagem do filme, Gero Camilo e João Miguel seriam os maiores atores do Brasil (de certa forma estão num rol dos melhores) e Mariana Ximenes com suas cenas nuas e quentes de sexo seria a nova Lolita do cinema brasileiro, a nossa Claudia Cardinale, nossa Marilyn Monroe. E como fizeram o personagem principal com a perna cortada? Ficou perfeito, angustiante. 


As pedras, aceito, sem problemas, mas “Hotel Atlântico” passa, deixa sua marca e não cansa, mesmo com todos os absurdos, os capítulos e dinâmica entrecortadas, todos os disparates da realidade. Suzana Amaral conseguiu fazer um filme que é realmente diferente da cinematografia brasileira. O pecado maior do filme é o seu fim, que tenta explicar algo. Pra que, Suzana? 

Isso não afetará o quanto gostei de “Hotel Atlântico”.

Vitor Stefano
Sessões

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