domingo, 28 de dezembro de 2008

Os Embalos de Sábado à Noite

Nome original: Saturday Night Fever.
Diretor: John Badham.
Ano: 1977.
País: Estados Unidos.
Elenco: John Travolta, Karen Lynn Gorney.
Prêmios: Melhor ator em NBR Award para John Travolta e Golden Screen.
Os Embalos de Sábado à Noite (1977) on IMDb

A harmoniosa soma de belas canções dos Bee Gees + John Travolta + um roteiro despretensioso = Os embalos de sábado à noite. Sem um deles, porém, creio que esse filme não existiria. Ou melhor: seria possível, mas dificilmente alcançaria o resultado esperado. Não consigo imaginar Os embalos... com outra banda, com outras músicas; nem com outro protagonista capaz de dançar tão bem; nem com uma trama presunçosa, afetada, intelectualizada. O filme é simples. E é bom exatamente por isso.

Os embalos de sábado à noite mostra o dia-a-dia de um jovem suburbano chamado Tony Manero, seus conflitos familiares, sua estagnação profissional, sua falta de perspectivas. A história de Tony é semelhante à de muitos rapazes pobres da sua idade: brigas familiares, emprego não qualificado (ele é balconista numa loja de tintas), pouca ou nenhuma diversão. Entretanto, no sábado à noite, na discoteca 2001, tudo era diferente: Tony era outro: elegante, admirado, desejado, o deus das mulheres, o fodão, o Rei das Pistas! Seus conflitos familiares ficavam bem quietinhos em casa, davam um tempo, desapareciam. Afinal, no sábado à noite nada mais importava senão a música e a dança.

Mas... Os embalos de sábado à noite não se restringe a Tony Manero e sua dança empolgante. Esse filme vale ser visto porque também aborda – ora superficialmente, ora de maneira relativamente profunda – assuntos interessantes (e alguns até hoje polêmicos), tais como: rebeldia, sexo na adolescência, gravidez, aborto, religião, celibato, estupro, papel da mulher na sociedade, desemprego, preconceito contra os homossexuais, racismo, amor, rejeição, amizade, arrogância, dignidade, vaidade masculina, influência da mídia na vida das pessoas, coragem, ingenuidade, violência, ascensão social. Esta última, simbolizada pela travessia da ponte que liga o Brooklyn a Manhattan, bairros de Nova York com características completamente diferentes: o primeiro, humilde e violento; o outro, luxuoso e refinado – alvo da “coroa” Stephanie Mangano, parceira de Tony num concurso de dança e por quem ele se apaixona. Em certo momento do filme, ela, deslumbrada, diz: “No outro lado do rio tudo é completamente diferente. É lindo! As pessoas são lindas, os escritórios também.”

Outro tema que merece ser citado em Os embalos... é a disputa, pois ela acontece em relevantes segmentos sociais. Por exemplo: a) familiar: entre o rejeitado Tony e seu irmão, Frank, o xodó da família – pelo menos até decidir largar a batina; b) racial: entre brancos, negros e latinos, evidenciada tanto nas brigas de rua quanto nas duplas de dançarinos que concorriam ao Prêmio da Discoteca; c) ideológico: entre o imediatismo dos jovens e a sensatez da idade madura, demonstrada pelo desejo de elevação social de Stephanie Mangano e sobretudo neste trecho em que o sr. Fusco, patrão de Tony, não quer lhe adiantar o pagamento semanal: Sr. Fusco: “...economizará e terá um futuro...” Tony: “Dane-se o futuro.” Sr. Fusco: “Não pode estragar seu futuro; ele é que irá estragar você... se não tiver tudo planejado.” Tony: “Esta noite é o futuro. E já fiz planos.”

Tony Manero é uma personagem bacana porque é complexa: com virtudes e imperfeições de caráter. Rebeldia, ingenuidade, arrogância, dignidade, violência, coragem e vaidade (entre outras) acompanham sua confusa, paradoxal – por isso mesmo, real e apaixonante – personalidade. Outra personagem marcante é Frank. Vejamos, então, o mordaz e inteligente Frank em ação em duas situações distintas. Ao ser questionado pelo irmão por que iria para uma pensão: “Ex-padres não voltam para casa. Todos (seus familiares) estão chocados demais. Perderam os pontos que achavam que tinham no Céu.” Agora, sério, aconselhando Tony: “Você só sobreviverá fazendo aquilo que considera certo. Se fizer o que eles (outras pessoas) querem, estragará a sua vida.”

Por falar em estragar... não quero ser o estraga-prazeres, porém... aviso desde já, camaradinha, que a fotografia não é extraordinária. Ainda assim, não deixa de ser interessante, especialmente pelo fato de termos certeza – em razão das tomadas abertas – que as cenas de dança foram realmente executadas pelo Travolta (e não por um dublê). No material extra, o diretor John Badham comenta algo relacionado a isso.
Vendo hoje, as roupas usadas no filme são ridículas. Afinal, uma mulher dançando de maiô azul, meia-calça preta e salto alto é... digamos... muito brega. Igualmente brega é o figurino masculino: calças apertadíssimas, camisas com estampas e cores extravagantes, sapatos e botas de salto alto, correntinhas. No entanto, era o má-xi-mo naquele tempo, na efervescente Época dOs embalos de sábado à noite.

Paulo Jacobina
Sessões

6 comentários:

  1. Pai: Puta filho, esse filme é demais!
    Filho:Ah pai, que filme idiota.
    P: Ah, você não viveu essa época, vai achar idiota mesmo, mas o idiota aqui é você!
    F: Ih, que coisa de baitola!
    P: Bee Gees é demais!
    F: Voz de gralha!
    P: Bom é essas merdas que você ouve, ah tá!?
    F: Ah...
    P: Filho, esse filme foi um marco para a nossa geração! Foi uma mudança muito brusca do conservador ao moderno, da opressão ao liberto!
    F: Eita!!
    P: É, eu usei muito aquelas calças boca de sino, botinha, camisas estampadas e vendo hoje, é ridiculo mesmo. Mas eu conheci a sua mãe nessa época, e ela usava umas roupas muito parecidas com as moças do filme!
    F: Ah Pai, mas você era mais bonito que o Travolta, e a mamãe também era bonitona.
    P: Poxa, eu fui considerado o rei da noite, como ele foi!
    F: hahahahahahaha. Palhaço!
    P: HAHA. Fui mesmo seu tonto!
    F: Que bichinha!
    P: Olha como você fala seu filho da p... Respeita. Era como se dançava na época. E tudo começou com esse filme! Viu a importância?
    Talvez se o filme não existisse eu não conheceria sua mãe e talvez você ainda estivesse no meu saco!
    F: Ufa!!! Ainda bem que esse filme existiu!

    Bom, esse papo com um pai ou uma mãe que viveu nessa época pode ser considerado comum à muitos, inclusive a mim. Sempre fui muito relutante em ver esse filme, e por causa desse brilhante projeto, o Sessões, fui 'obrigado' a vê-lo.

    Não vou mentir e dizer que foi um dos melhores que já vi na minha vida, além de não ser o estilo de filme que eu gosto, mas darei o braço a torcer. É um filme que marcou uma geração e o respeito por isso!

    É um filme que mostra uma geração revoltada! Aprisionada! Com muitas perguntas que não foram respondidas, por isso a revolta no Sábado à noite!

    Como disse Nik Cohn no New York Post em 1976: "A nova geração corre alguns riscos; se forma no colégio, procura um emprego, resiste aos problemas. E uma vez por semana, nas noites de sábado, ela explode."
    Deviam ter seus motivos!
    Manero, ops, Maneiro!

    P: E ai, não é o melhor filme do mundo, moleque?
    F: Menos, menos... Mas insisto, ainda bem que ele existiu, senão não estaria aqui...

    Vitor Stefano
    Sessões

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  2. Há vários aspectos possíveis de discorrer em “Os Embalos de Sábado a Noite”, tão somente citarei alguns dos que pude perceber:

     Multiplicidade de identidades de um indivíduo;
    Curioso que era 1977 e o Pós-Modernismo seria conceituado um pouquinho depois.

     Sensação de inserção na sociedade;
    Dançar era status, era ser alguém.

     Disco-music;
    A primeira vez na história em que um estilo popular não surge por “acidente”, a música e produtos que pudessem advir dela compõem uma sofisticada estratégia de marketing de massa.

     Pão e circo;
    Uma forma de manter jovens “distraídos”, passivos, enquanto uma das décadas mais difíceis do século XX literalmente acontecia.

     Repercussão do filme;
    Uma das maiores bilheterias de todos os tempos. No Brasil, chegou a inspirar uma das novelas de maior audiência da Rede Globo – Dancin’ Days (1978).

     A apropriação da arte do negro;
    Em sua "arquitetura” a Disco tem por base a música negra – o soul e o funk. Aliás aparecem tão apenas dois negros durante o filme todo, curioso para um filme que traz como principal cenário o Brooklin.

     O Pai, o Filho, o Padre, o Bruce Lee, o All Pacino, as Panteras, STP e o Espírito Santo;

     Etc.

    Diante de tantos e tantos questionamentos, o que nos resta é chacoalhar o quadril! Afinal, estamos vivos!

    Whether you're a brother or whether you're a mother
    You're stayin' alive, stayin' alive
    Feel the city breakin' and everybody shakin'
    And you're stayin' alive, stayin' alive
    Ah, ah, ah, ah, stayin' alive, stayin' alive
    Ah, ah, ah, ah, stayin' alive

    Adorei o filme!

    Leandro Antonio
    Sessões

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  3. Cubatão. 30 de dezembro. 2008.
    Litoral Paulista. Terça-feira à noite!
    2 horas, 3 minutos.

    Alguém me conta o fim do filme?
    O DVD travou e não consegui ver as cenas a partir de quando Tony vai à casa de Stephanie logo após a morte de seu amigo. Ele entra e ‘paahhh’, trava!
    Mas como estou experimentando uma nova forma de análise cinematográfica (vendo apenas partes de um filme ou deixando de ver alguma parte importante) resolvi escrever meus comentários mesmo assim, afinal perdi somente uns 3 minutos de filme e como discussões geralmente não levam a nada não preciso de tanto embasamento (rsrsrs).


    Retrato dos ‘Anos Dourados’. Juventude!
    Sábado, caindo a noite é quando tudo se transforma.
    Na mente apenas três verbos: ‘beber’, ‘dançar’ e ‘transar’, é claro.

    É o ápice, quando o cara extravasa, se liberta.
    Garotas, popularidade, prestígio. Tony Manero tem o que quer.
    ‘Todas as noites são iguais’ e os embalos estão em alta!

    O rapaz se espelha nos ícones da cultura pop.
    Rocky! Bruce Lee!

    Um cuidadoso penteado, roupas escolhidas a dedo e...
    Pau no Gato!

    Os embalos saem das telas e entram nas pistas reais...
    E a galera ‘stayin' alive, stayin' alive’!


    Mateus Moisés
    Sessões

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  4. Os faces ou ritos tribais do novo sábado à noite ou a cafonice.

    O centro é tudo.Todo o mais é irrelevante e em Nova Iorque o centro era Manhattan.Bronx,Brooklyn,Queens não passavam de monstruosos limbos urbanos ocupados por pessoas-ninguém.

    Uma geração nova,no entanto,germina no pasto periférico.Quase irreconhecíveis;idade variando de
    16 a 20 anos famintos,cheios de energia e urgência.

    Não posam como punks nem hippies,nem gays,nem feministas isso fora produto da década passada.Tampouco há aqui conflitos políticos,agitações estudantis,movimentos em prol da liberdade de direitos civis,pan-sexualismo,expansão da mente através de meditação ou que quer que seja.

    Trata-se da geração que a assume poucos riscos,alienada:

    "life going nowhere/somebody help me"

    obediente,com o emprego mediano que terá pelos próximos 15 anos e que uma vez por semana,sabado à noite,se liberta,explode.

    Tony era o melhor dançarino,o Face máximo.Dono de 14 camisas floridas,5 ternos,8 pares de sapato e 3 casacos.Todos vinham vê-lo dançar.

    Conhecido de todos adentrava a Odisséia 2001 com os outros faces atrás de si.Gracioso como um senhor feudal aceitava tributos e distribuia acenos a seu bel prazer.Reinava absoluto na plataforma iluminada.

    Durante a semana era vendedor em uma loja de tinta.

    Às 5 da tarde quando o sinal de aberto era tirado da loja ele arrancava o riso forçado da cara e ia se olhar no banheiro.

    Constítuia a terceira geração de italianos do Brooklyn.

    Parecia Al Pacino.Um assassino,uma estrela.Herói refletido no espelho.

    Após se banhar,se barbear e se pentenar sentia-se renascido.O sábado vinha chegando.Calça apertada como pele de linguiça.

    Dentro do carro com seus amigos deixavam de ser o que eram durante a semana para serem tão somente os Faces.

    Os Faces eram,portanto,a elite de nada especial.Garotos Zumbis,cavalos profissionais ou os Escolhidos da sublime estética do mau gosto.

    A odisséia 2001 era o seu santuário,o seu céu.Lá podiam ser alguém ainda que cafona.50 corpos formavam 1 como exército uniformizado de camisas floridas que ritimados entre si dançavam Night fever.

    Quem não quer ser um face, quem já não foi cafona?

    Correntinha de crucifixo sobre o peito cabeludo(tem que ter peito cabeludo,se não não conta),Sapato de salto.Calça apertadinha,roçando os fundilhos,fazer cara de durão,comer de boca aberta.

    Viva a época dos meus pais!!!

    O filme levou o choro à minha casa minha mão chorou das lembranças da época:
    Disse que eu fui concebido ao som de how deep is your love e ,eu, chorei de remorso.

    Entendi meu passado e meu futuro mas uma esperança o filme me trouxe:

    "- QUE SE FODA O FUTURO!"

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  5. Embalos de Sábado a Noite é um filme que marcou uma época, é o ícone de uma geração, representa muita coisa pra muita gente. Independente da qualidade artístico-cinematográfica.

    O seu efeito comportamental foi devastador e o movimento Disco Music se confundiu com o filme. Tony Manero parecia o próprio Bee Gees, que também era o próprio John Travolta.

    Ainda consigo lembrar... Eu era criança, mas meus irmãos já eram adolecentes e eles viveram intensamente a época Disco e o efeito causado pelo filme Os Embalos de Sábado a Noite. No Brasil, o movimento foi reforçado com a produção de uma novela de grande sucesso chamada Dancing Days.

    O fato é que todos queriam ser Tony Manero. As roupas, o cabelo e, é claro, a coreografia, que era ensaiada à exaustão na sala de casa. E eu nem podia fazer a minha liçao de casa direito porque aquela vozinha fininha da bicha dos Bee Gees não parava de zumbir nas minhas ventas.

    Os Embalos de Sabado A Noite representam algo maior em termos de representatividade para aquela época, e também para os nossos dias. Porque é um marco divisório bastante forte entre uma juventude que vinha dos anos 60 e início dos anos 70, mais coletiva e mais engajada políticamente. Passando a retratar um modelo de jovem individualista, egocentrico, alienado e consumista. Tendo sido este o modelo adotado pela juventude desde então.

    Enfim, filme fraco, mas efeito devastador, febre aliada a um movimento e à trilha sonora bem viada dos Bee Gees.

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  6. Este filme é brega, mas um brega adorável. Mostra as influências da época exatamente anterior aos anos 80, década em que muitos de nós nasceram, como eu, que sou de 81. E Bee Gees realmente tem vocalistas com voz de gralha, mas como as músicas deles conseguem fazer parte da nossa memória! São chiclete!

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