terça-feira, 5 de junho de 2012

Cabra-Cega


Nome Original: Cabra-Cega
Diretor: Toni Venturi
Ano: 2005
País: Brasil
Elenco: Leonardo Medeiros, Débora Duboc, Jonas Bloch e Michel Bercovitch.
Prêmios: Melhor Filme (Júri Popular), Melhor Diretor, Melhor Ator (Medeiros), Melhor Roteiro e Direção de Arte no Festival de Brasília, Melhor Filme (Júri Popular) no Festival de Campo Grande.
Cabra-Cega (2004) on IMDb



O medo causa claustrofobia. Toda ação gera uma reação e toda ditadura dita uma vida regrada e sem escapes. Um pé fora da linha inimiga é motivo para explosões, tiros, capturas, torturas e mortes. A ditadura nacional foi marcada por queima de arquivo, corpos e vestígios. Os sobreviventes calaram-se por anos, décadas até que pudessem respirar aliviados sem ter que olhar pelo olho mágico com atento a qualquer movimento brusco ou não calculado. A sociedade deixou de ter vida com o direitismo no poder e buscou em grupos de ataque esquerdistas a salvação – o futuro.


Tiago está recluso após ser perfurado em uma emboscada da polícia. Não tem condições de estar nas ações da rua de seu grupo de ação. Sua equipe está na ativa, mas mesmo muito debilitado, quer estar lá fora. Não suporta mais as paredes encurtando, fechando e não podendo mais sentir a brisa, a adrenalina ou o cheiro da pólvora. A casa do simpatizante é sua morada e Rosa é responsável por dar todo apoio necessário a Tiago, além de mantê-lo informado das ações no mundo controlado. Enlouquecer poderia ser rápido demais sem sua presença. Monstros e pesadelos surgem à medida que os dias passam, dúvidas sobre a causa passam a fugir de seu controle. Sair dali é mais do que uma busca, torna-se necessidade, empunhando armas e colocando a própria vida a disposição pela pátria.

Há uma quantidade boa de filmes sobre nossa ditadura, e quanto mais tempo passa, melhores vão ficando, pois as ideias amadurecem e a visão individual de quem viveu o período pode gerar relatos maravilhosos e totalmente diferentes. Leonardo Medeiros mostra-se competentíssimo na pele de Leonardo, mostrando ser um dos nossos melhores atores do cinema atual. O elenco de apoio deixa um pouco a desejar e o roteiro por vezes escorrega, mas o alvo inicial do filme é muito bem mostrado da angustia dos que não tinham como vive e sofriam a dor de quem estava nas ruas. A vida pode ser muito dolorida sem nunca ter sofrido um arranhão, pois ter a liberdade cerceada é o maior dos pecados. Melhor viver brincando de cabra-cega, para não ver a maldade do mundo e ser guiado pelos sentidos dos pés. 


Quem busca bons filmes sobre nossa ditadura, pode entrar no Listas de 10 que abordou ótimamente o tema.

Vitor Stefano
Sessões

Um comentário:

  1. "Melhor viver brincando de cabra-cega, para não ver a maldade do mundo e ser guiado pelos sentidos dos pés."
    Muito bom!

    Sobre o drama de ser contrário num contexto de Regime Autoritário. O Brasil, esse Estado.
    E não, a Ditadura não acabou.

    COMISSÃO DA VERDADE NELES!!!

    m.m.
    SESSÕES

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