sexta-feira, 22 de março de 2013

Paraísos Artificiais

Nome Original: Paraísos Artificiais
Diretor: Marcos Prado
Ano: 2012
País: Brasil
Elenco:Nathalia Dill, Luca Bianchi e Lívia de Bueno
Prêmios: Melhor Fotografia, Montagem, Edição de Som e Atriz Coadjuvante (Divana Brandão) no Cine PE.
Paraísos Artificiais (2012) on IMDb


Nessa madrugada eu assistia o filme "Bonequinha de Luxo" (Breakfast at Tiffany's) e me ocorreu um pensamento que já não era novo pra mim: filmes praticam estereótipos no público. O que quero dizer é que tipos de filmes agradam, fazem o tipo, apetecem a determinados tipos de pessoa, grupos, enfim, acho que os profissionais de marketing que trabalham com cinema devem saber bastante sobre isso. Fiquei com muita raiva da personagem principal do filme, Holly (interpretada por Audrey Hepburn), pois a considerei uma garota egoísta, insensível, fútil, que quer ser o centro das atenções e resolver todos os seus problemas casando-se com um milionário. Na verdade, a cena final do táxi na qual o seu pretendente Paul descarrega seu rancor diante do comportamento da garota sintetiza absolutamente o que penso da personagem. Alias, fiquei um pouco incomodado com o final também.

Ora, se quisesse fabricar um estereótipo pra compor o público de "Bonequinha de Luxo" poderia arriscar: garotas jovens, ambiciosas e divertidas. Certamente isso revela de partida alguns preconceitos e muita limitação no pensamento. Entretanto, num mundo pautado nos diversos valores o julgamento é algo difícil de ser evitado. De alguma forma a tipização em torno do filme e a personalidade da personagem me incomodaram pois é um filme de entretenimento e não pretende causar epifania ou catarse no espectador, o que no limite significa que o espírito crítico e a potencialidade transformadora do ser humano não é estimulado por esse tipo de filme apesar do belo acabamento estético. Toda essa reflexão me levou a pensar sobre mim mesmo que é a maneira pela qual eu consigo entender e superar meus próprios preconceitos e compreender de que maneira eu aponto nos outros os erros que estão exatamente na minha pessoa. Pensei em que estereótipos poderiam estar enquadrados os meus filmes preferidos. Que tal "Na Natureza Selvagem"? Parafraseando Carlão (colaborador do Sessões) Supertramp é um "playboy rebelde sem causa". É, talvez. Mas façamos o exercício de fabricação do estereótipo. O filme do aventureiro a maneira de Kerouac agrada, entre outros, a um tipo de público: garotos universitários da classe média que precisam encontrar um causa pra dar razão a sua vida que não pode ser normal e fútil como a de todos os outros seres humanos que vivem na terra. Pobres meninos ricos.


A essa altura você deve estar se perguntando: mas o texto não era sobre o filme "Paraísos Artificiais"? Calma, leitor, calma. O que "Bonequinha de Luxo", "Na Natureza Selvagem" e todo esse papo insuportável sobre estereótipos tem haver com o filme que dá nome ao texto? Na verdade, creio que "Paraísos Artificiais", do mesmo diretor de "Estamira", trabalha de forma muito rasa sobre estereótipos e eu chutaria dizer que ele não atende nem o público que pretende atingir. Quais são os estereótipos: jovens alternativos e curiosos que cultivam a cultura da "paz" e experiências "transcendentais" com drogas alucinógenas ou não. O tempo todo aparecem situações, personagens, cenas, que de uma maneira meio tosca conseguem mostram um pouco o universo das drogas e suas relações com as vidas das pessoas.


Mais triste é ver as entrevistas do diretor e dos atores em programas de TV. O filme tem um conteúdo pobre e a fotografia, a plástica da coisas, que poderiam enriquecer muito se perdem numa trilha sonora descompassada com a imagem, num jogo de cenas muito ruim. Paraísos Artificiais foi pra mim uma senhora brochada. Não gostei, não achei divertido. De meia-boca pra ruim. Como um outro crítico chegou a dizer por aí: "Malhação com drogas sintéticas". Curioso é que o diretor do filme é parceiro do venerado José Padilha. Vai saber o que acontece nesse mundo...

Talvez numa segunda tentativa alguém consiga fazer um filme no Brasil capaz de captar de maneira mais intensa e verdadeira o universo das drogas sintéticas.



De qualquer forma, o filme deixa algumas mensagens: certamente há limites no uso de qualquer droga e a juventude não sabe exatamente quais são os seus. Aparece o envolvimento com o tráfico, as relações familiares, o conflito de poder. Mas em suma, fica tudo muito superficial, água com açúcar. É foda. Me decepcionei. Talvez seja legal colocar pra rodar numa festa, abaixar o som e colocar uma outra trilha, sei lá, Pink Floyd e fumar um baseado. A única coisa que vale em "Paraísos Artificiais" são as belíssimas imagens, as incríveis cores.

Mateus Moisés
Sessões

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