
Nome original: Himmel über Berlin (alemão), Wings of Desire (inglês)
Diretor: Win Wenders
Ano: 1987
País: Alemanha, França
Elenco: Bruno Ganz, Solveig Dommartin, Otto Sander, Peter Falk
Prêmios: Melhor Diretor, no Festival de Cannes e no European Film Awards; Melhor ator coadjuvante para Curt Bois no European Film Awards; Independent Spirit Awards na categoria de Melhor Filme Estrangeiro; Prêmio do Público, na Mostra de Cinema de São Paulo.
Diretor: Win Wenders
Ano: 1987
País: Alemanha, França
Elenco: Bruno Ganz, Solveig Dommartin, Otto Sander, Peter Falk
Prêmios: Melhor Diretor, no Festival de Cannes e no European Film Awards; Melhor ator coadjuvante para Curt Bois no European Film Awards; Independent Spirit Awards na categoria de Melhor Filme Estrangeiro; Prêmio do Público, na Mostra de Cinema de São Paulo.
Asas do Desejo (1987), do diretor alemão Win Wenders, não é um filme “fácil”, tem um ritmo bastante lento, não possui enredo linear, por isso pode não agradar a muita gente. Pessoalmente, considero um dos melhores longas que já assisti, é um clássico imperdível para os amantes do bom cinema.
Se existem anjos, nesta versão wenderiana, eles estão espalhados por todos os lados, nas ruas, bibliotecas, metrôs, em cima de prédios e monumentos, e sua relação com os mortais se dá de maneira muito bela, terna e afetuosa. Àqueles que possuem maiores angústias, eles apóiam suas mãos nos ombros tentando transmitir uma sensação de esperança. As crianças têm uma relação próxima e são as únicas que conseguem enxergá-los.
A narrativa é composta de pura poesia e sua belíssima fotografia compõe o clima de uma Berlin dos anos 80, pré-queda do muro e com referências explícitas às memórias da segunda guerra e dos efeitos provocados pelo nazismo e holocausto.
A história é contada sob o ponto de vista de anjos que vagam neste cenário urbano, frio e melancólico. Eles ouvem os pensamentos humanos e sua visão é monocromática. Por esta razão 80% do filme é apresentado em preto e branco. Todas as informações captadas pelos anjos em forma de poesia-prece, lamentações, conflitos, frustrações e desejos são reproduzidos numa seqüência aleatória, como um rádio trocando de estações.
A história tem duas partes distintas. Na primeira, não há diálogos e Daniel, um dos anjos, já mostra interesse em se transformar em humano, mesmo presenciando toda a tristeza e aflição terrena. Ele passa a ter mais certeza de sua decisão quando se apaixonar por Marion, uma trapezista de circo.
O filme muda de ritmo quando Daniel se transforma em homem. A fita passa a ter cor. Seus diálogos com Peter Falk, que aparece interpretando a si mesmo, são delirantes. O encontro com sua amada num bar punk é surreal e muito romântico. O modo infantil como Daniel se entrega a pequenos prazeres, como o de descobrir as cores, tomar um café, sentir dor, frio, sorrir, correr, proporcionaram a mim, na primeira vez que assisti ao filme, isso há mais de 15 anos, uma motivação de vida interior imensa.
Sempre que me lembro desta história e agora que a assisti novamente, ganho um fôlego de esperança, uma certeza de que a felicidade está na simplicidade, no amor entre as pessoas e em relações que não se resumem ao plano físico. Saio renovado, mais leve. Um sujeito melhorado.
Não se trata de acreditar ou não em anjos, nem de fazer crer que eles sejam assim como Wenders conta. Asas do desejo não tem vocação para conversão, não é religioso, nem místico. Mas é um filme sensível, espiritual e poético.
Tão Longe Tão Perto (Far Away So Close), de 1993, é a sequência de Asas do Desejo. Outra belíssima produção de Win Wenders. O grupo de rock U2 gravou um vídeo clip baseado neste filme. A música Stay é facilmente encontrada no site de vídeos Youtube (clique aqui). Recomendo uma conferida.
Outra curiosidade é que o filme Cidade dos Anjos, produzido nos anos 90, com Nicolas Cage e Meg Ryan, é uma refilmagem hollywoodiana de Asas do Desejo. Nesta produção, o roteiro é adaptado aos padrões americanos que transformou o clássico europeu numa comédia romântica água-com-açúcar. Veja o trailer de 'Asas do Desejo':
Carlos Nascimento
Sessões










